As reservas florestais e indígenas no Acre estão sendo desmatadas por pequenos focos de agricultura familiar ao longo dos rios e da BR-364 (entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco). Esses focos acumulam uma área de 136 km2 em mais de um ano.

Em Rondônia, a característica é parecida à de Mato Grosso: as grandes áreas degradadas, somando mais de 330 km2 no período, são características de agricultura comercial e madeireiras.

As constatações foram feitas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), na formatação de dados do Programa de Monitoramento de Áreas Especiais (ProAE). Os dados colhidos pelo satélite LandSat e fotos de aviões do Sipam são a mais completa radiografia de cada centímetro de todas as áreas indígenas e reservas federais e estaduais da floresta amazônica. Mostram grandes descampados, onde a mata é retirada para a agricultura ou derrubada em busca da madeira, e também extensas áreas de mineração e de pistas de pouso clandestinas.

Em Rondônia, os dados de monitoramento de 2006 e 2007 foram entregues no mês passado para órgãos federais e estaduais de fiscalização, como a Polícia Federal, a Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público Estadual e Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No Acre, cujos dados foram divulgados ontem, as fotos dos satélites mostram que em um ano foram desmatados 136 km2 nas terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais. "Há pontos não-caracterizados como agricultura familiar na fronteira com o Peru, dando a idéia de que a devastação também pode ser importada", diz o diretor do Sipam, Marcelo de Carvalho Lopes.

Do total de devastação em Rondônia, 170 km2 foram desmatados em unidades de conservação estaduais, o que representa 51,5% do desmate em áreas protegidas. "São áreas grandes, contínuas, descampados que demonstram que é desmate para a retirada de madeira", diz Lopes. Outros 120 km2 desmatados foram em unidades de conservação federais.

Futuro

Mato Grosso será o próximo Estado com a divulgação dos dados, seguido do Amazonas, Pará, Amapá e Tocantins. Segundo Lopes, durante o monitoramento, alertas de desmatamento são enviados aos órgãos de fiscalização. No caso de MT, oito alertas foram enviados em dois anos. Pelas informações compiladas, o Estado teve desmatamento recente no Parque Nacional Juruena e no Parque Estadual Serra de Santa Bárbara.

Em Rondônia, onde há 41 unidades de conservação estaduais, o ProAE aponta que cerca de 90% do desmatamento nas unidades ocorreram em apenas cinco áreas. A mais devastada é a Reserva Extrativista Rio Jaci-Paraná, na divisa dos municípios de Porto Velho, Buritis e Nova Mamoré. Só nessa área foram desmatados 95 km2.

Nas florestas estaduais Rio Madeira B (localizada em Porto Velho) e Mutum (situada em Cujubim) foram desmatados 15 km2 e 9,83 km2, respectivamente.

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