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Republicanos resistem e ameaçam vetar pacote de Bush

O acordo no Congresso dos Estados Unidos em torno do pacote de resgate do sistema financeiro, que chegou a ser dado como certo durante grande parte do dia de ontem, sofreu um importante revés à noite. Com isso, a votação do plano de US$ 700 bilhões, que deveria ocorrer hoje, está ameaçada.

Agência Estado |

Um bloco de legisladores republicanos não aceita a proposta do governo George W. Bush. Segundo políticos do Partido Democrata, esse grupo teria recebido o apoio do próprio candidato republicano à presidência, John McCain.

"Isso parece mais um plano de resgate de McCain", atacou o presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Christopher Dodd, segundo o The New York Times. "Não é nada bom sermos atrapalhados durante duas, três horas por causa de um teatro."

A tensão chegou a tal ponto que obrigou o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, a voltarem ao Congresso para rediscutir a situação com os parlamentares. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia acabado.

O grupo de congressistas republicanos apresentou a proposta alternativa durante o encontro de Bush com líderes da Câmara e do Senado, McCain e o candidato democrata à presidência, Barack Obama, na Casa Branca. "Espero que possamos chegar a um acordo rapidamente", disse Bush após a reunião.

Os republicanos mais conservadores resistem ao uso de dinheiro dos contribuintes. Preferem um programa que ofereça um seguro para títulos lastreados em hipotecas e flexibilize regras e corte impostos para que fundos possam comprar parte de bancos, como forma de recapitalizá-los.

"Estava tudo certo, mas algo mudou no meio do caminho - a Casa Branca terá de discutir isso com os republicanos", disse Obama. "Precisamos agir rapidamente."

Em entrevista à ABC News, McCain disse que "nunca houve nenhum acordo". "Eu sabia, ao entrar (na reunião com Bush e os outros políticos), porque já havia estado com meus colegas republicanos na Câmara, que nunca houve um acordo. Mas acredito que o encontro foi importante para fazer o processo avançar", afirmou.

À tarde, democratas e republicanos concordaram em aprovar o plano de US$ 700 bilhões depois que duas medidas foram incluídas no projeto de lei: limitação à remuneração de executivos de bancos envolvidos no programa e um mecanismo para o governo receber ações das instituições auxiliadas, para que os contribuintes não saiam perdendo.

O plano apresentado por Paulson permite ao Tesouro usar até US$ 700 bilhões para comprar dos bancos títulos podres - lastreados em hipotecas inadimplentes, pouco líquidos e difíceis de avaliar - e assim descongelar o mercado de crédito.

Também havia sido acordado que a liberação dos recursos seria feita em tranches. O plano em estudo previa a liberação de US$ 250 bilhões imediatamente, US$ 100 bilhões de acordo com ordens do presidente e o restante teria de ser aprovado pelo Congresso.

No fim do dia, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que o governo e o Congresso continuariam trabalhando para chegar a um acordo. Segundo o congressista democrata Steny Hoyer, líder da maioria na Câmara, os congressistas não devem entrar em recesso na sexta-feira, como previsto, e estão prontos para passar "sábado, domingo, segunda-feira e quanto tempo for necessário no Congresso, trabalhando".

O governo esperava que o plano fosse aprovado até o fim da semana sem muitas modificações. "Precisamos aprovar essa lei de forma limpa e rápida, e evitar atrasá-la com medidas que não são relacionadas ao projeto e não têm apoio amplo", havia dito o secretário do Tesouro, Henry Paulson.

As bolsas dispararam com a perspectiva do acerto. O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, avançou 1,82% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 1,43%. No Brasil, o Índice Bovespa ganhou 3,98%.

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