Senadores republicanos advertiram ontem que o partido provavelmente não vai apoiar o projeto de lei do presidente Barack Obama se não houverem mudanças para eliminar gastos desnecessários e garantias de que o pacote, de quase US$ 900 bilhões, vai dar impulso à cambaleante economia americana. O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, disse que é preciso estabelecer as metas imediatas, com foco específico no setor de habitação e na redução de impostos.

"Se vamos gastar .... é preciso que seja oportuno, temporário e com metas determinadas", disse no programa Face the Nation da CBS. "Vamos tentar estabilizar o setor da habitação primeiro. Foi onde tudo começou", disse o senador de Kentuck. O Congresso se apressa para cumprir o prazo, até meados de fevereiro, estabelecido por Obama para aprovar a legislação criada para tirar a economia de uma recessão que já dura 13 meses.

Alguns projetos controvertidos que integram o pacote seriam passíveis de negociação para conquistar o apoio dos republicanos. Segundo Richard Durbin, de Illinois, democrata número dois do Senado, os democratas estão abertos às emendas propostas pelos republicanos. "Que apresentem suas ideias, falem das mudanças que desejam e das emendas que pretendem", disse no programa Fox News Today. Atualmente, os democratas controlam 58 cadeiras no Senado e lideram uma disputa ainda não decidida. Com base nas normas do Senado, são necessários 60 votos para superar obstáculo de procedimento levantado pelos republicanos.

Outro influente republicano, o senador Jon Kyl, do Arizona, disse acreditar que o apoio ao projeto de estímulo econômico estava enfraquecendo e que seriam necessárias "grandes mudanças estruturais" para conseguir o apoio republicano."Tem de reformular tudo." Para Kyl, o projeto de lei de quase US$ 900 bilhões, "consome muito dinheiro". Ele discorda de alguns itens, incluindo um reembolso fiscal de US$ 500, a criação de dezenas de novos programas governamentais e a transferência de dinheiro para os Estados. Os republicanos não querem retardar a aprovação da lei, mas querem "grandes emendas para que seja redirecionada" no sentido de uma solução para o colapso do setor de habitação e de uma redução de impostos, disse Kyl.

Quanto ao senador McConnell, insistiu para o presidente Obama "convocar esses democratas do Senado e da Câmara... e sacudi-los um pouco, dizendo, olha, vamos fazer as coisas do jeito certo". Os senadores democratas estão receptivos às emendas que aumentam gastos em infraestrutura e estabelecem fiscalização mais rígida do programa de ajuda financeira de US$ 700 bilhões para os bancos e Wall Street, programa conhecido como Troubled Asset Relief Programa (Tarp), disse Durbin.

O senador Charles Schumer, de Nova York, disse que ele e seus colegas democratas estão atentos às críticas dos republicanos - e que foram eliminados, por exemplo, US$ 200 milhões a serem destinados a reforma do National Mall, e milhões de dólares para um programa de planejamento familiar. "O projeto vai ser aprovado com votos republicanos porque é um bom plano e porque faremos mudanças."
Schumer disse que os democratas estão abertos às ideias dos republicanos para o setor imobiliário, incluindo a elevação de créditos fiscais para novos compradores de casas e manter baixas as taxas hipotecárias. Mas isso deve ser gerido com o dinheiro remanescente do o Tarp. Os democratas concordam com os republicanos que o projeto, na sua forma atual, não inclui gasto suficiente em infraestrutura.

"A preocupação é que estamos numa espiral deflacionária decrescente e ninguém sabe como sair disso", afirmou Schumer, advertindo que a última vez em que isso ocorreu foi na Grande Depressão.

O valor envolvido no projeto de lei da Câmara era de US$ 825 bilhões, mais ele pode ficar mais próximo dos US$ 819 bilhões quando se calcular seu impacto sobre o déficit. O projeto do Senado, com componentes fiscais diferentes, pode chegar perto dos US$ 900 bilhões.

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