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A Câmara de Deputados americana rejeitou nesta segunda-feira o plano de resgate financeiro dos bancos proposto pelo secretário do Tesouro de George W. Bush, Henry Paulson, o que levou Wall Street e as bolsas mundiais a despencarem.

O plano, aprovado depois de vários dias de negociações entre os legisladores do Congresso e a administracão Bush, foi rejeitado por 228 votos contra e 205 a favor, a maioria da bancada republicana.

A votação se manteve aberta durante certa tempo por parte dos líderes democratas e republicanos, numa tentativa de incentivar uma mudança de posição dos congressistas que votavam contra o projeto, diante do olhar atônito de muitos legisladores.

Ainda não está claro quais serão os próximos passos para tentar resolver a crise, mas é certo que um novo projeto deve ser apresentado para que haja uma segunda votação.

A situação pode ficar mais complicada por causa do Ano Novo judaico, comemorado nesta segunda-feira, pois muitos legisladores devem deixar o plenário em função do feriado. Alguns parlamentares comentaram que uma nova votação talvez aconteça a partir da próxima quinta-feira, ou talvez apenas na próxima semana.

A bolsa de Nova York, que já caía mais de 500 pontos antes da divulgação do resultado da votação, reagiu imediatamente com uma forte baixa. O índice Dow Jones perdia 6,16% e o Nasdaq 7,86% minutos depois do anúncio.

Na América Latina, a queda das bolsas também foi espetacular: a bolsa de Valores de São Paulo, o maior mercado da região, suspendeu suas operações quando seu principal indicador, o Bovespa, perdia mais de 10%.

Os equipamentos eletrônicos da bolsa estão programados para parar automaticamente quando o índice oscilar acima dos 10% e, em conseqüência, as operações são suspensas por meia hora para que os investidores revejam suas compras e vendas.

Também despencaram os pregões do México (quase 6%) e Santiago do Chile (quase 5%).

Mais cedo, o presidente George W. Bush pediu ao Congresso dos Estados Unidos que votasse rapidamente o plano de resgate bancário de 700 bilhões de dólares.

Em um breve discurso na Casa Branca, o presidente explicou, no entanto, que o resgate bilionário não solucionará todos os problemas financeiros americanos, que podem continuar "por algum tempo".

Depois de uma semana de negociações, os líderes parlamentares e o governo de George W. Bush fecharam um acordo sobre os termos do plano.

O plano proposto pelo secretário Paulson prevê a liberação de 700 bilhões de dólares para a aquisição dos créditos podres dos bancos, duramente afetados pela crise dos empréstimos imobiliários de alto risco.

Esta intervenção do Estado no combalido setor privado, sem precedentes na história dos Estados Unidos, pretendia adquirir os ativos duvidosos ou "podres" dos bancos afetados pela crise imobiliária.

Bush divulgou, logo em seguida, estar muito decepcionado com a derrota do plano de resgate financeiro, e pediu a seus assessores que avaliem os próximos passos a serem dados, informou a Casa Branca.

Já o candidato democrata à presidência, Barack Obama, expressou sua confiança de que o plano de ainda pode receber o aval do Congresso americano e pediu para que os mercados fiquem calmos.

Obama afirmou ter conversado por telefone com o secretário do Tesouro e a presidente da câmara, a democrata Nancy Pelosi, assim como outros parlamentares.

"Eles ainda estão tentando trabalhar no pacote de resgate", garantiu Obama. "Estou confiante que vamos chegar lá, mas vai ser um pouco difícil. É importante que os mercados fiquem calmos".

"O que aconteceu hoje (segunda-feira) não pode se manter, precisamos avançar, disse Pelosi, por sua vez. "Nosso trabalho não terá terminado até que isso aconteça".

Depois de um acalorado debate na câmara de deputados, alguns republicanos e democratas se uniram para expressar sua oposição ao plano de Paulson.

"O que estamos fazendo é simplesmente coroar o rei Henry", afirmou o republicano John Culberson, do Texas, aludindo a Henry Paulson.

"É uma ampliação sem precedentes do poder federal, inaceitável, que não podemos permitir, que nossos filhos não podem permitir, e que jamais vimos na história de nosso país. Devemos nos dar um tempo para refletir", afirmou, indignado.

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