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Repercussão de decisão impressiona CS Hedging-Griffo

SÃO PAULO - Um exemplo de como os ânimos estão exaltados no mercado financeiro brasileiro foi a forte repercussão que uma mudança administrativa da Credit Suisse Hedging-Griffo acabou provocando na sexta-feira. A corretora, que é também uma das maiores gestoras de recursos do país, anunciou que não ia mais prestar serviços nos mercados futuros de juros e câmbio da BM & F para instituições financeiras.

Valor Online |

Foi o suficiente para que uma onda de boatos inundasse as mesas de operações, levantando suspeitas que iam desde problemas com clientes até dificuldades da própria BM & F. A repercussão da medida impressionou os executivos da Hedging-Griffo. "Estava em uma festa no sábado e encontrei alguns clientes que vinham me perguntar se eu estava bem", diz Luis Stuhlberger, sócio da CS Hedging-Griffo e gestor do fundo multimercado Verde.

O comunicado explicava que era uma medida administrativa, válida a partir de 2009, e que a corretora continuaria operando nas áreas de corretagem de futuros agrícolas e de ações. Mas, num dia em que o Índice Bovespa chegou a cair mais de 8%, abaixo dos 32 mil pontos, o mercado não quis saber. "Eu mesmo ouvi muitas histórias absurdas na sexta-feira, de empresas em dificuldades, que não têm o menor sentido", diz Stuhlberger, que aproveitou para explicar as mudanças.

Segundo ele, a CS Hedging-Griffo só vai deixar de oferecer serviços de corretagem de mercados futuros de juros (DI) e câmbio para instituições financeiras. São cerca de 20 clientes, dos quais 8 representam 75% das receitas, mas que exigem uma grande dedicação da corretora. Ao mesmo tempo, a receita proporcionada por essas atividades era muito pequena. "Há 10 anos, 75% de nosso lucro vinha dessa atividade, hoje é apenas 0,5%", diz Stuhlberger. Já a área de gestão de recursos passou de 1% para 80%. "Há 20 anos, um contrato rendia US$ 100, hoje rende US$ 0,20".

Essa queda de importância é um reflexo da própria evolução dos mercados brasileiros, explica o gestor. O papel do corretor, de passar informações ao cliente, interpretar essa informação, garantir liquidez e executar as ordens perdeu o sentido para os grandes bancos nesses mercados. "Hoje eles têm diversas outras fontes de informação e capacidade de avaliação que tornam difíceis nossas tentativas de agregar valor à corretagem", diz. Com isso, o valor pago acaba caindo. "Os próprios clientes, de alguns meses para cá, já possuem plataformas para operar direto na bolsa", afirma Stuhlberger.

A situação é diferente no caso dos clientes pessoa física e empresas. Por isso, a CS Hedging-Griffo vai manter os serviços de corretagem em DI e câmbio para o setor agrícola, para empresas e para o private. "Se um investidor ou um produtor rural quiser comprar dólar futuro, nós operaremos", diz. Já na área de futuros de ações, onde a Hedging-Griffo é uma das maiores gestoras de recursos e tem grande experiência, também as instituições financeiras serão atendidas.

No total, 20 pessoas trabalhavam na área que será desativada, sendo que 5 a 7 serão reaproveitadas. As demais continuarão atendendo os clientes até dezembro. "Resolvemos anunciar isso agora para que houvesse tempo para eles se recolocarem, os clientes vão continuar operando por outras corretoras", diz. Para Stuhlberger, outras corretoras têm vantagens competitivas nessas áreas de DI e câmbio, e devem continuar operando, mesmo com corretagens menores. "Não digo que o mercado de corretagem não é interessante para todos, ele apenas não é interessante para nós nesse segmento", explica.

Ele dá o exemplo do fundo multimercado Verde, cuja família reúne cerca de R$ 9 bilhões em recursos. O fundo opera por pelo menos 20 corretoras, mas quase nada pela CS Hedging-Griffo. "Como gestor, tenho de pegar o máximo possível de informação. A melhor execução possível e tentar dissimular, para não saberem o que estou fazendo", diz. "Além disso, não acho correto pagar comissão para mim mesmo, isso acaba tendo o risco de conflito de interesses", diz.

A Hedging-Griffo também não pretende fechar outras áreas. "Todas as que ficaram são parte de nosso negócio principal", explica. Nesse negócio, além da gestão e da corretagem de agrícolas para todos e de DI e câmbio para empresas e pessoas físicas, está a administração de carteiras de fundos, clearing (liquidação) e custódia. "O Verde, por exemplo, pode operar por meio de dez corretoras durante o dia, mas é preciso de uma que junte tudo no fim do dia, o que fazemos por aqui", diz.

(Angelo Pavini | Valor Econômico, para o Valor Online)

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