PORTO ALEGRE - Dez anos depois de ter sido adquirida pela americana JC Penney, que mais tarde, em 2005, vendeu o controle da empresa em uma operação pulverizada na Bovespa, a Lojas Renner voltará a ter um banco próprio. A instituição está sendo estruturada com o auxílio de uma consultoria externa e o processo será encaminhado ao Banco Central no início de 2009, informou o diretor de relações com investidores, José Carlos Hruby.

Em 2010 a rede também pretende lançar um cartão de crédito " embandeirado " .

Segundo o executivo, o novo banco vai concentrar os serviços financeiros da Renner, com ganhos fiscais em relação ao modelo praticado atualmente. Hoje a empresa vende títulos de capitalização em parceria com o Icatu, oferece empréstimos pessoais com o banco Safra e banca parte das vendas a prazo (de cinco a oito parcelas) com recursos captados no mercado. A venda de seguros, em associação com a Porto Seguro, poderá permanecer sob o mesmo sistema.

A forma de capitalização do novo banco ainda não está definida. Os estudos devem ser concluídos nas próximas semanas, incluindo a escolha do nome da instituição. Até 1998, a varejista era uma empresa familiar e controlava o banco AJ Renner, que foi cindido na venda para a JC Penney e ficou com os antigos donos. Segundo Hruby, a companhia americana não tinha interesse em operar com serviços financeiros e por isso a rede só pôde ingressar no segmento após a pulverização do controle.

" Chegou a nossa vez de aproveitar a nossa base de clientes " , afirmou o executivo, numa referência a operações semelhantes já realizadas por outras empresas de varejo. Segundo ele, que revelou os planos em reunião com analistas de mercado, em Porto Alegre, o novo banco está sendo preparado desde o início do ano e os planos não foram alterados com a crise financeira global. " O cenário está um pouco mais complicado, mas o mundo não vai acabar " , comentou.

Conforme Hruby, no primeiro trimestre de 2009 a Renner também definirá a bandeira e a processadora com as quais vai emitir os cartões de crédito. O restante do ano será dedicado ao ajuste da tecnologia de captura das operações e no início de 2010 os plásticos deverão ser lançados no mercado. O público alvo é formado por parte dos 4 milhões a 5 milhões de donos de cartões próprios da rede que fizeram compras nos últimos 12 meses. A base total da empresa chega a 13,1 milhões de cartões.

" Vamos trabalhar com muito cuidado para identificar os clientes que têm potencial para receber o novo cartão " , disse o executivo. Nos nove primeiros meses deste ano, os cartões próprios foram responsáveis por 63,6% das vendas de mercadorias, que geraram uma receita líquida de R$ 1,34 bilhão, com um tíquete médio de R$ 109,51 no período. Na condição até cinco vezes sem juros, a Renner banca as operações com capital próprio. Acima disso, os encargos são de 6,99% ao mês. Já os serviços financeiros proporcionaram um resultado de R$ 61,3 milhões, o equivalente a 29,3% do lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida).

Em outubro, a rede desistiu da aquisição da Leader, com sede no Rio de Janeiro, depois que a desvalorização das empresas de varejo de capital aberto em função da turbulência financeira deixou o preço originalmente acertado (R$ 670 milhões mais a assunção de uma dívida de R$ 74 milhões) alto demais em relação a outros ativos do setor. Segundo o diretor presidente, José Galló, a crise terá impacto negativo sobre as vendas do quarto trimestre, mas em 2009 a Renner deve abrir de 12 a 15 novas lojas no país. Em 2008 também serão inauguradas 15 unidades, aumentando a rede para 110 pontos-de-venda.

(Sérgio Bueno | Valor Econômico)

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