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Renda sobe mas emprego recua com baixa escolaridade

Pesquisadora mostra alta de 24,7% no rendimento e queda de 12,4% na ocupação entre trabalhadores com até 3 anos de estudo

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

O acelerado ritmo de crescimento econômico aliado à política de distribuição de renda, de 2004 a 2008, produziu um paradoxo entre  trabalhadores com escolaridade baixa. O rendimento das famílias cresceu mais neste período entre brasileiros com menos anos de estudo, ao mesmo tempo em que o número de empregos recuou entre eles.

O rendimento de pessoas com até 3 anos de estudo avançou 24,7% neste período, apesar de a ocupação deste grupo ter diminuído 12,4% em média. Na faixa de 4 a 7 anos de escolaridade, por sua vez, trabalhadores perderam em média 6% dos postos de trabalho, mas ganharam 17,4% em rendimento, segundo estudo da pesquisadora Sonia Rocha, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets) com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O rendimento aumentou para todos. Para os que possuem menos anos de estudo, a queda na ocupação foi compensada pelo aumento da renda, que foi maior neste grupo", afirmou a pesquisadora, enquanto palestrava no 22º Forum Nacional promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).

Agência Brasil
Pochmann: Renda cresce mais entre trabalhadores com os salários achatados, e isso inclui quem tem baixa escolaridade

Por outro lado, entre trabalhadores com 8 a 10 anos de estudo houve aumento de 14,8% no rendimento, enquanto os que possuem mais 11 anos de escolaridade, a alta foi menor, de 4,4%. Ocorre que os trabalhadores que estudaram menos são também os mais pobres, alvos de políticas de transferência de renda como o salto do salário mínimo nos últimos anos, explica o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann.

"O que o estudo mostra é uma recuperação dos salários achatados dos mais pobres, que são também os que estudam menos, um efeito do processo de distribuição de renda por que passa o país", disse ao iG o presidente do Ipea. "O processo de crescimento econômico, por outro lado, torna maior as exigências de pre-requisitos e estudo, o que desfavorece a ocupação de quem tem menos escolaridade", acrescentou Pochmann.

Sonia Rocha mostrou também que a ocupação cresceu 1,68% ao ano quando o nível de pobreza ficou estagnado, entre 1996 e 2003. De 2004 a 2008, quando a pobreza diminuiu no País e houve mais distribuição de renda, o total de vagas avançou 2,44% ao ano.

Além das políticas que reduziram pobreza, a pesquisadora atribui o crescimento da renda entre os menos favorecidos ao acelerado crescimento da economia brasileira nos últimos anos. 

O estudo também aponta que a renda do trabalho manteve-se como principal fonte de rendimento das famílias brasileiras. O trabalho respondeu por 76% da fonte de renda das famílias, em 2004 e em 2008. Já entre os mais pobres, a renda do trabalho recuou de 77% para 70% da renda total da família, por causa dos programas de transferência de renda, entre eles o Bolsa-Família.

 

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