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Renault-Nissan e Daimler vão produzir carros pequenos e motores

Os presidentes da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, e da Daimler, Dieter Zetsche, anunciaram ontem, em Bruxelas, na Bélgica, a associação das duas companhias, marcada pela troca de ações e por uma nova parceria industrial. Pelo acordo, a empresa francesa e a japonesa adquirem, cada uma, 1,55% das ações da ex-concorrente alemã.

AE |

Os presidentes da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, e da Daimler, Dieter Zetsche, anunciaram ontem, em Bruxelas, na Bélgica, a associação das duas companhias, marcada pela troca de ações e por uma nova parceria industrial. Pelo acordo, a empresa francesa e a japonesa adquirem, cada uma, 1,55% das ações da ex-concorrente alemã. Em contrapartida, a Daimler passa a deter 3,1% dos dois conglomerados. O objetivo do acordo: economia. A assinatura oficial do entendimento aconteceu em Bruxelas, onde se situa a Associação Europeia de Construtores Automotivos (Acea). Segundo os dois executivos, a troca de ações tem valor simbólico e visa a reforçar a aliança industrial entre as companhias. "É uma maneira de formalizar nossa cooperação e garanti-las em longo termo", justificou Ghosn. De acordo com o executivo franco-brasileiro, a aproximação entre os dois grupos teve início há cerca de um ano, quando a Daimler propôs à Renault uma cooperação para o desenvolvimento do sucessor do Smart - o modelo de dois lugares da Daimler que faz sucesso na Europa. "Nós respondemos que não estávamos interessados em um projeto que envolvesse apenas um automóvel, mas que estávamos prontos a discutir uma parceria mais ampla", relatou, em sua primeira entrevista após a assinatura do contrato, concedida ao jornal Le Monde. Embora a troca de ações tenha caráter simbólico, as duas companhias já cogitam a ampliação dos porcentuais de participação acionária cruzadas. "Nada impede. Se cada um dos parceiros estima que há interesse, por que não? Em quatro ou cinco anos, haverá certamente uma segunda fase, mas ela dependerá dos resultados que nós obteremos até então", afirmou Carlos Ghosn. Carros pequenos. O acordo firmado ontem entre os grupos prevê a criação de uma plataforma comum para a produção de dois veículos de pequeno porte - o Clio, da Renault, e a nova versão do Smart, da Daimler. A previsão é que os dois veículos devem deixar as linhas de produção a partir de 2013. O entendimento envolve ainda questões como o compartilhamento de linhas de montagem, a fabricação comum de motores convencionais - de baixa e alta cilindradas -, o desenvolvimento de motores elétricos e a pesquisa de novos produtos, além de economias de escala em diversas áreas de produção. A associação não provocou protestos de sindicatos da categoria, já que, segundo promessas da Renault, representará a criação de mil novas vagas em setores de projetos e engenharia. "É uma oportunidade para todos os funcionários na França e na Alemanha e, fundamentalmente, em todos os países em que estamos ativos", reforçou Zetsche. Analistas do setor automobilístico tentavam ontem decifrar o acordo. Para Thierry Huon, do banco BNP Paribas, "as operações financeiras parecem um pouco complexas". "As sinergias anunciadas, de vários bilhões de euros, nos parecem ambiciosas. Elas devem provir principalmente da partilha de custos de desenvolvimento." Gaëtan Toulemonde, consultor do Deutsche Bank, pediu calma na interpretação da parceria. "É importante não exagerar o porte desse tipo de acordo porque, a priori, as participações cruzadas dos grupos Renault-Nissan, de um lado, e Daimler, de outro, são da ordem de 3%. Não é uma operação como a aproximação entre Renault e Nissan há 10 anos." A notícia gerou uma certa preocupação por causa dos casamentos fracassados da Daimler no passado. Desde 1998, o grupo alemão já realizou três acordos do gênero. O primeiro, a compra da norte-americana Chrysler por ¿ 27 bilhões, foi celebrado como a "fusão do século", mas acabou em fracasso absoluto. Em 1999, 34% das ações do grupo japonês Mitsubishi foram adquiridas pelos alemães. No ano seguinte, 10% do coreano Hyundai acabaram nas mãos da Daimler. Das três associações, só a operação com a Mitsubishi segue em vigor.
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