Paris, 25 nov (EFE).- A recessão nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se prolongará até meados do próximo ano e seu impacto, sem precedentes desde o início dos anos 1980, não permitirá uma recuperação econômica até o segundo semestre de 2010.

Esta é a principal conclusão do relatório semestral de perspectivas divulgado hoje pela OCDE, que prevê redução de 0,4% em seu Produto Interno Bruto (PIB) - cálculo 0,1 ponto percentual menor do que o previsto há 12 dias - por causa de uma previsível piora da economia na zona do euro.

O conjunto dos 30 membros da OCDE entrou em recessão no terceiro trimestre de 2008, com queda de 0,2% do PIB, número que se agravará nos três últimos meses deste ano, até alcançar -1,4%, continuando negativo nos dois seguintes (-0,8% e -0,2%).

Apesar de a taxa de crescimento ser timidamente positiva no segundo semestre de 2009 (0,5% no terceiro trimestre e 1,1% no quarto), o nível de produção entre julho e dezembro do próximo ano seguirá sendo inferior ao deste ano e a recuperação virá apenas em 2010, quando se espera progressão da atividade de 1,5%.

Os autores do estudo advertem que a crise será particularmente sentida em países muito expostos à brusca mudança da tendência do mercado imobiliário, como Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Irlanda, ou à tempestade financeira, como Hungria e Turquia.

Os EUA, onde o recuo do PIB deverá ser maior no próximo ano (cairá 0,9%), poderiam se recuperar em 2010, com crescimento previsto de 1,6%.

Em relação ao Japão, após o efeito temporário nos próximos meses por causa do estímulo fiscal decidido pelo Governo, que limitará o corte da atividade em 2009 a 0,1%, o país sofrerá uma estagnação que permitirá crescimento de 0,6% em 2010.

A conseqüência deste panorama de recessão para o conjunto da OCDE é que a taxa de desemprego, com média de 5,9% este ano, subirá para 6,9% em 2009 e atingirá 7,2% em 2010, o que, segundo o economista-chefe da OCDE, Klaus Schmidt-Hebbel, significaria mais 8 milhões de desempregados em dois anos.

Schmidt-Hebbel afirma que o período crítico da crise financeira está chegando ao fim, mas também não descarta totalmente a hipótese de sobressaltos com outras quebras no setor de fundos de investimento especulativos, de forma que não se deve esperar uma normalização do mercado de crédito até o final de 2010.

Além disso, as previsões semestrais, que não têm relação alguma com as de junho (quando se esperava crescimento de 1,7% em toda a OCDE para 2009), estão cercadas de grande incerteza e ainda podem ser revistas para baixo se os problemas financeiros se traduzirem de forma traumática para o conjunto da economia.

Em uma mudança radical do que costuma ser a doutrina habitual da OCDE, Schmidt-Hebbel considera que ainda fazem falta estímulos macroeconômicos, pois os atuais não correspondem à realidade, o que pode ser uma falta de legitimação de planos de relançamento como o que está sendo preparado pela União Européia (UE).

No entanto, o economista-chefe da OCDE estabelece uma série de condições para a injeção de capital em massa na economia e diz que a primeira coisa a ser feita deve ser o estudo de cada caso, considerando a margem orçamentária de cada país.

Outro tópico importante é o que questiona os programas de estímulo por meio de investimentos em infra-estruturas, por considerar que são medidas a longo prazo, enquanto a atual situação requer mecanismos de reativação econômica que possam ser retirados quando a conjuntura se recuperar para então evitar riscos inflacionários.

A receita alternativa da OCDE às infra-estruturas são cortes fiscais ou ajudas dirigidas àqueles que têm problemas de crédito e às famílias mais pobres, que podem ser mais eficazes para gerar demanda.

Schmidt-Hebbel apóia o processo iniciado pelo Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) para reformar o sistema financeiro internacional, no qual admite que é necessário introduzir uma melhor supervisão e regulação para evitar risco em excesso, assim como maior transparência.

Entretanto, o economista-chefe da OCDE afirma que reforçar a estrutura financeira internacional deve garantir a manutenção de mercados abertos diante das pressões de intervencionismo. EFE ac/wr/fal

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