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Relatório do BC ainda mostra preocupação com a inflação

Mesmo considerando que a deterioração dos mercados internacionais é bastante severa, o Banco Central (BC) não abandonou a ortodoxia. No relatório trimestral de inflação, divulgado ontem, o BC insistiu no diagnóstico que o descompasso entre o ritmo da expansão da demanda e a oferta ainda é o maior risco para a trajetória dos preços no Brasil.

Agência Estado |

O BC considera que as perspectivas de inflação continuam preocupantes e cercadas por razoável incerteza.

O quadro de incerteza sobre o comportamento dos preços, na avaliação do BC, pode ser identificado pelo fato de que a economia opera "virtualmente a pleno emprego dos fatores", as expectativas inflacionárias ainda estão em patamares "incompatíveis com a trajetória de metas" e existem pressões de preços industriais no mercado atacadista.

Embora admita que "a desaceleração econômica global possa ter impactos desinflacionários", o relatório não faz uma avaliação clara dos efeitos sobre a inflação brasileira de um desaquecimento provocado pela crise internacional.

A leitura do relatório leva à conclusão de que o BC deverá aumentar novamente a taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no final de outubro, para reduzir o descompasso entre a demanda e a oferta, mesmo com o cenário externo adverso.

Ao divulgar o relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, disse que a crise poderá levar a uma "acomodação" do crescimento do País, mas afirmou que é prematuro fazer projeções sobre o impacto da crise sobre os investimentos no Brasil. Mesquita disse que não trabalha com um cenário de recessão mundial, embora ela possa acontecer em algumas regiões.

Ele admitiu que a deterioração do cenário internacional "introduz incertezas no cenário prospectivo" do BC. Mesmo assim, não quis avaliar se a previsão de inflação de 4,8% para 2009, que consta do cenário de referência do relatório do BC, estaria "ultrapassada" diante do agravamento da crise financeira. Para 2008, a previsão do BC, em seu cenário de referência, é que a inflação fique em 6,1%, mantida constante a atual taxa de juro de 13,75%.

"Antes da próxima reunião do Copom, nós vamos rodar uma nova safra de projeções e avaliar os cenários, com todas as suas variáveis", disse.

"Hoje em dia, um mês é muito tempo", observou Mesquita, numa referência ao fato que a próxima reunião do Copom só ocorrerá daqui a um mês.

Mesquita disse que a forte retração dos financiamentos externos, em conseqüência da crise, poderá ter efeitos contracionistas. A retração poderá afetar as exportações e reduzir a oferta interna de crédito, pois cerca de 8% das operações são feitas com base em empréstimos captados pelos bancos no mercado internacional.

O relatório trimestral de inflação do BC foi redigido com dados coletados até 12 de setembro, antes do agravamento da situação financeira dos EUA, o que pode explicar o relativamente pouco destaque dado à crise. A entrevista de Mesquita foi realizada antes da rejeição do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões pela Câmara dos Deputados dos EUA.

O relatório trimestral do BC elevou a previsão de crescimento da economia brasileira este ano de 4,8% para 5%. A estimativa do mercado é de crescimento de 5,2%. A previsão do BC para o crescimento da economia em 2009 só será divulgada no próximo relatório trimestral de inflação, que sairá em dezembro.

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