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Relatório de inflação do BC traça cenário tranqüilo, apesar da crise

O relatório de inflação que o Banco Central (BC) divulgará na próxima segunda-feira deverá trazer cenários razoavelmente tranqüilizadores para o Brasil, a despeito da crise financeira global, dizem economistas próximos à autoridade monetária. E, por isso mesmo, talvez o documento enfrente novamente críticas de serenidade exagerada por parte de profissionais do mercado financeiro.

Agência Estado |

O BC já foi criticado na divulgação do relatório de junho, quando o texto não confirmou os cenários pessimistas para a inflação traçados por agentes do mercado. Mas o tempo deverá mostrar que o BC está certo, apostam tais fontes. Para eles, mesmo com a permanência de fatores de risco latentes e importantes, o Brasil está em melhor situação que outros países. Eles observam que para o País começar a sentir alguns efeitos, como o estreitamento de liquidez, a crise externa precisou ser muito grave.

"Quem está no mundo vai sentir os efeitos dessa situação, mas o Brasil está preparado para lidar com essa situação internacional adversa", diz uma das fontes. "E a autoridade monetária já mostrou que tem agilidade para tomar medidas necessárias para mitigar o estresse", completa, referindo-se ao leilão de venda de dólar conjugado com compra futura, realizado na última sexta-feira , e às medidas de ajuste nas regras de recolhimento de depósitos compulsório, anunciadas ontem.

Nos dois casos, foram ações pontuais, mas sem impedir que o mercado ajustasse preços, que refletem o quadro de crise. Em particular, a decisão tomada para o mercado de reais levou em conta a avaliação do BC de que havia um processo incipiente de empoçamento de liquidez - bancos evitando emprestar dinheiro a outros bancos. "Não há como impedir que ocorra uma seletividade em momentos de nervosismo global, mas o BC pode evitar que medidas decididas por ele mesmo acentuem esse processo", diz um dos interlocutores. "O mercado entendeu que não se tratava de medida de política monetária, mas de ajuste."

Segundo os economistas, não há grandes situações de risco no horizonte brasileiro até agora. O Brasil reduziu sua exposição cambial e hoje é credor externo; o dólar na faixa de R$ 1,60 a R$ 1,80 tem efeito positivo para as contas públicas; o País tem regime de câmbio flutuante,que se ajusta às circunstâncias internacionais. Além disso, os bancos têm mais capital do que precisam para o tipo de operação que fazem. Enquanto o índice de Basiléia (taxa de capitalização) mínimo exigido é 11%, a taxa referente ao sistema bancário brasileiro como um todo é de 15,8%.

Outro argumento é que, nos EUA, enquanto muitos mercados são baseados em operações de balcão, com nível de risco maior, aqui, o sistema tem mais garantias. E no Brasil, a fiscalização bancária é localizada exclusivamente no BC. Nos EUA, a fiscalização é separada em três esferas, o que torna mais complicada a troca de informações.

Mas isso não quer dizer que o BC não esteja atento aos desdobramentos da crise externa ao traçar os cenários que mostrará no Relatório de Inflação de setembro - e que deverá montar um horizonte de expectativas não só para 2009, mas também para 2010. Mas, sim, que uma semana dramática não é o momento ideal para ser tomado como base para análises de médio e longo prazos. "Não se deve tomar as condições da semana passada como permanentes, nem tampouco deixar de levar em conta a crise financeira internacional", afirmam os economistas próximos ao BC.

Nos mais recentes encontros que o BC fez com empresários antes de começar a preparar o relatório - até para conhecer de perto os panoramas trabalhados pelo setor privado - ninguém ignorava os riscos, mas os cenários apresentados foram predominantemente benignos.

A "semana de sangue" nos mercados ainda não havia ocorrido e nem várias empresas tinham ainda vindo a público falar em mudanças nos planos de investimentos. O "empoçamento de liquidez" não estava tão claro. Ainda assim, a autoridade monetária, dizem esses economistas, entende que as empresas não fazem mudanças tão abruptas nos seus planos quanto os traders do mercado financeiro. "É prudente esperar um pouco mais e ver o que vai acontecer", diz uma das fontes. Aparentemente, o pacote de US$ 700 bilhões que o governo americano está tentando aprovar no Congresso parece "condição necessária" para enfrentar a crise, mas o que ninguém sabe - e isso, claro, inclui o BC brasileiro - é se será suficiente.

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