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(Embargada até 14h de Brasília) Genebra, 8 set (EFE).- A economia palestina, devastada pela guerra e pela ocupação israelense, teve crescimento nulo em 2007 e não poderá recuperar-se caso a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não tiver mais opções de política econômica, segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Um relatório apresentado hoje pela Unctad considera que, para reativar a economia palestina, não é necessária somente a suspensão das restrições impostas por Israel, mas também que a ANP disponha de uma gama de instrumentos de política fiscal, monetária, comercial e trabalhista, com a qual contam os países.

O documento lembrou que a ANP "quase não tem margem de manobras a não ser o gasto público, menos do que Governos locais de muitos países dispõem".

O relatório constatou que "a economia dos territórios palestinos ocupados se estagnou em 2007 e não conseguiu se recuperar da retração sofrida em 2006, por isso o Produto Interno Bruto (PIB) continuou caindo e a pobreza se intensificou".

"Se não fosse a reativação da ajuda externa no segundo semestre de 2007, o PIB teria caído pelo segundo ano consecutivo", acrescenta a Unctad.

O relatório destacou que "a construção do muro de separação (por parte de Israel), a política de bloqueio do Estado judeu e a erosão da capacidade produtiva continuaram impedindo a recuperação".

Segundo analistas, a adoção de uma moeda nacional seria a medida proposta que teria efeitos mais fortes a favor do crescimento.

A Unctad também propõe o aumento dos investimentos públicos e das transferências governamentais, a correção das distorções dos investimentos e das exportações, programas de criação setorial de empregos e a substituição da quase união aduaneira com Israel por um regime comercial de nação mais favorável.

As restrições à circulação e a reiterada retenção por parte de Israel dos impostos e direitos de alfândega arrecadados em nome da ANP têm agravado a crise fiscal.

Esta fonte de financiamento, quando não é retida, representa entre 60% e 70% da receita pública, e é, portanto, o principal componente dos recursos orçamentários palestinos.

Em 2007, o PIB per capita continuou a trajetória de queda até atingir 60% do nível de 1999.

O desemprego aumentou para 29% da população ativa. Em 1999, esse indicador era de 21%.

Dois anos atrás, 57% da população viviam abaixo da linha da pobreza, e em 2007, 44% se encontravam em situação de pobreza absoluta.

O relatório também evidencia a crescente disparidade entre as condições de vida da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.

Em 2006, 66% dos habitantes de Gaza viviam em condições de pobreza absoluta, taxa superior em 30 pontos percentuais à da Cisjordânia.

Durante o ano passado, as empresas de Gaza só funcionavam com 46% de sua capacidade instalada, em comparação com 76% do ano anterior.

No final de 2007, as atividades industriais de Gaza tinham recuado 95%. Já o número de estabelecimentos operacionais do setor industrial diminuiu de 3.500 no começo de 2005 para apenas 150 em 2007. EFE mh/wr/plc