Para primeiro-ministro britânico, não fazer parte do bloco permite adotar política econômica independente

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse nesta terça-feira que o fato de o Reino Unido não pertencer a zona do euro permitiu a economia manter-se fora da "zona de perigo" que afetou vários países europeus.

Em declarações à BBC, Cameron comparou o caso britânico com o da vizinha Irlanda, que viu suas classificações de solvência rebaixadas e suas taxas de juros em alta, algo que relacionou com o fato de pertencer à "eurozona".

"O problema da Irlanda é que é membro do euro. No Reino Unido temos uma situação na qual, além de reduzir o déficit e de nos livrarmos de nossas dívidas e nossos problemas, pudemos ter uma política monetária independente", afirmou.

"Isto nos permitiu ter taxas de juros baixas (no mínimo histórico de 0,5%) e injetar dinheiro na economia para revitalizá-la", complementa. A isso é preciso somar que "nossa divisa se depreciou com relação a outras e nossos exportadores encontraram outros mercados para trabalhar", explicou Cameron.

O fato demonstra que as tradicionais políticas do Partido Conservador em favor de manter a libra esterlina como moeda foram corretas. "Eu sempre quis ficar fora do euro (zona) porque defendo uma política econômica britânica para o Reino Unido. E isso é o que podemos ter agora", disse Cameron, que, no entanto, advertiu que seu país não está a salvo das turbulências econômicas.

O primeiro-ministro do Reino Unido, cujo Governo está disposto a realizar um profundo corte das prestações sociais para combater o déficit público (em torno dos 200 bilhões de euros para este ano), lançou uma mensagem de otimismo.

"Acho que o povo não deveria falar só em termos negativos de nossa economia. O fato é que o Escritório de Responsabilidade Orçamentária (organismo independente que supervisiona as contas do Estado) previu crescimento para este ano (1,2%) e para o próximo (2,6%)", lembrou o líder conservador.

Cameron argumentou que os cortes orçamentários de junho "tiraram o Reino Unido da zona de perigo". "Já não estamos vinculados com países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, que viram suas classificações creditícias rebaixadas e uma alta das taxas de juros", indicou.

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