O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, disse hoje que o Tesouro conseguiu identificar 6,25 bilhões de libras (cerca de US$ 8,99 bilhões) em gastos que podem ser imediatamente cortados neste ano. O novo governo se esforça para reduzir o déficit orçamentário de 156 bilhões de libras (US$ 224,6 bilhões) do Reino Unido.

O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, disse hoje que o Tesouro conseguiu identificar 6,25 bilhões de libras (cerca de US$ 8,99 bilhões) em gastos que podem ser imediatamente cortados neste ano. O novo governo se esforça para reduzir o déficit orçamentário de 156 bilhões de libras (US$ 224,6 bilhões) do Reino Unido.

Osborne disse que os cortes de gastos, que ocorrerão no atual ano fiscal, são apenas o início de um doloroso processo para combater o déficit orçamentário nacional. Decisões ainda mais duras devem ser tomadas no futuro, previu ele. "Nós precisamos tomar ações urgentes para manter nossas taxas de juros mais baixas por mais tempo, para fortalecer a confiança na economia e proteger empregos, para mostrar ao mundo que nós podemos viver segundo nossos próprios meios", afirmou Osborne.

Os cortes anunciados incluem significativas reduções de gastos nos departamentos do governo e algumas medidas capazes de gerar tensão política, como o fim de um programa do governo anterior, chamado Child Trust Fund, que destina dinheiro para crianças em seu nascimento, mas que elas só podem retirar após os 18 anos. Também estão nos cortes alguns pontos dos programas para gerar empregos tomados durante a recessão.

Apesar disso, esta primeira rodada de cortes de gastos foi cautelosamente preparada para minimizar o custo político. O governo manteve sua promessa de proteger os gastos na saúde, na defesa e em ajuda ao exterior. Também acrescentou uma promessa de, este ano, manter os gastos totais com escolas e vários programas educacionais.

Osborne disse ainda que cerca de 500 milhões de libras serão realocados dos programas do governo, incluindo uma verba adicional para aprendizes, moradias sociais e educação universitária. A coalizão conservadora liderada pelo primeiro-ministro David Cameron tem como sua principal meta doméstica o combate ao déficit e a manutenção do rating (classificação de risco) de crédito do Reino Unido em AAA. Cameron assumiu o poder há quase duas semanas, após as eleições de 6 de maio terminarem sem um partido com a maioria parlamentar. O Partido Conservador, de Cameron, agora lidera uma coalizão com o Partido Liberal Democrata.

Cortes

O corte mais doloroso entre os anunciados nesta segunda-feira é o do programa para as crianças, que dá aos pais uma pequena quantia para investir no futuro de seus filhos. Esse programa acabará progressivamente a partir do verão local e será concluído até 2011. Osborne disse que o governo economizará cerca de 600 milhões de libras ao cortar gastos em algumas agências do governo. Além disso, deve economizar mais 120 milhões de libras com o congelamento no recrutamento para serviços civis.

O governo pretende economizar cerca de 1,15 bilhão de libras reduzindo gastos como consultorias e em viagens. Também cortará 1,7 bilhão de libras ao atrasar ou interromper projetos e renegociar alguns dos maiores contratos com seus fornecedores. Já os governos locais devem cortar cerca de 1,17 bilhão de libras, enquanto os governos da Escócia, da Irlanda do Norte e do País de Gales terão que cortar 700 milhões de libras - ainda que esses cortes possam ser atrasados em um ano.

Críticas

As medidas de Osborne foram criticadas por seu antecessor, Alistair Darling, do Partido Trabalhista. Darling afirmou que estava claro que "esses cortes irão afetar seriamente o apoio aos negócios, significando menos empregos para os jovens e atingindo" os estudantes.

Os cortes também foram criticados por sindicatos. Brendan Barber, secretário-geral do Congresso de Sindicatos do Comércio, disse que a retirada de dinheiro da economia neste momento é perigoso, pois há o risco real da volta da recessão ao país.

Apesar disso, o vice-ministro das Finanças, David Laws, disse que as economias imediatas são apenas o início de um processo para conter o déficit de 156 bilhões de libras. "Quanto mais fundo formos neste processo, mais difíceis ficarão as decisões a serem tomadas", previu. Nem Laws nem Osborne quiseram comentar sobre quantos empregos podem ser perdidos com os cortes. Porém, falando à BBC, Laws disse que o impacto sobre o emprego deve ser "modesto". As informações são da Dow Jones.

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