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Regiões da Bolívia advertem que protestos podem comprometer exportações de gás

Prefeitos e líderes cívicos de cinco regiões opositoras da Bolívia decidiram nesta quarta-feira intensificar seus protestos contra o presidente Evo Morales e advertiram que estes podem causar a suspensão da exportação de gás natural para Brasil e Argentina.

AFP |

As autoridades de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, reunidas desde terça-feira na cidade de Santa Cruz (leste), emitiram nesta quarta-feira um comunicado reivindicando suas exigências: o retorno dos recursos que o governo retirou dessas regiões, o respeito a seus estatutos de autonomia e a rejeição à nova Constituição.

Os opositores advertiram: "se persistirem as ações do governo, não nos responsabilizamos por qualquer ação que impeça o fornecimento de combustíveis ao exterior do país", referindo-se às exportações de gás natural para Brasil e Argentina.

Os prefeitos e líderes cívicos determinaram o "rechaço e impedimento do propósito de impor um texto de reforma constitucional que carece de legalidade e legitimidade", após a decisão do governo de insistir na realização do referendo no próximo dia 7 de dezembro para dar luz verde à norma.

Nesse sentido, insistiram que não permitirão nas cinco regiões "nenhum referendo", pois argumentam que sua aprovação foi irregular, sem debate nem consenso.

Os líderes regionais afirmaram que também "decidiu-se massificar o bloqueio das estradas nos cinco departamentos, em adesão às medidas do Chaco", próximo às fronteiras com Argentina e Paraguai, onde medida semelhante está sendo adotada desde a semana passada.

O protesto, que suspendeu o tráfego terrestre para os dois países, exige que o Executivo restitua aos nove departamentos da Bolívia cerca de 166 milhões de dólares de um imposto sobre o petróleo e rechaça a nova Constituição de cunho indígena e estatista impulsionada pelo governo.

Também exigem que Brasil e Argentina, que consomem no total entre 32 e 34 milhões de m3 de gás natural por dia, paguem pelo menos o dobro do preço que já pagam, que oscila entre 7 e 9 dólares o milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica).

Após a manifestação dos opositores, o governo de Morales saiu a campo para avaliar as exigências e para acusar os prefeitos de atuarem com motivações políticas e para buscar o "separatismo e a divisão" da Bolívia.

"Insistir na aplicação de estatutos de autonomia ilegais somente fará que os traços de separatismo, divisionismo e racismo sejam expressados de maneira mais virulenta em alguns departamentos do país", afirmou o ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, em uma entrevista coletiva à imprensa.

O poder Executivo, que teme a intensificação de protestos violentos, mobilizou policiais e militares em cidades e regiões rebeldes para manter a segurança em edifícios públicos e campos e usinas de gás.

Mas o ambiente de conflito aflorou na terça e na quarta-feira na cidade amazônica de Trinidad, capital de Beni (noroeste), onde grupos cívicos de direita e militares protagonizaram fortes confrontos, que deixaram vários feridos.

A Bolívia está mergulhada em uma forte crise política, desencadeada principalmente por duas posições discrepantes: a do governo, que impulsiona um modelo estatista e indígena, e a da oposição, que defende um projeto de governos autônomos regionais de cunho liberal.

jac/dm

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