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Reforma de passarela em Congonhas vira polêmica

O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito para tentar barrar uma reforma de R$ 4 milhões na passarela que dá acesso ao saguão principal do Aeroporto de Congonhas, na Avenida Washington Luís, zona sul de São Paulo. O projeto foi cedido à Prefeitura pela Associação Amigos da Passarela (Aspa), entidade supostamente sem fins lucrativos que ganhou o direito de fazer a reforma e explorar publicidade no local por dez anos.

Agência Estado |

A Infraero assinou embaixo e dará R$ 1 milhão. O detalhe é que diretores da Aspa são sócios de um hotel na frente de Congonhas, que, com a obra, ganhará um elevador para que seus hóspedes cheguem rapidamente ao balcões do check-in das companhias.

O promotor de Habitação e Urbanismo José Carlos de Freitas, responsável pelo inquérito, considera que a Prefeitura deixou o hotel "privatizar" a passarela de 60 metros de extensão e cerca de 80 toneladas. Tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat), a estrutura foi projetada em 1973 pelo arquiteto paulistano João Batista Villanova Artigas (1915-1984) - um dos mais importantes do modernismo brasileiro, responsável pelo Estádio do Morumbi e o edifício da FAU-USP. "Já oficiei o prefeito Gilberto Kassab sobre o assunto, mas ninguém do governo municipal ainda se manifestou", diz Freitas. "Claramente, a reforma atende apenas aos interesses particulares do hotel", continua, citando o Hotel Ibis, que funciona em frente. Para ele, a passarela tem, sim, de passar por reforma, mas mais ampla. "Precisa ser mais alta, pois caminhões batem com freqüência, pondo em risco pessoas e carros que passam por ali."

Ferrugem, lixo e dejetos fazem realmente parte da paisagem da passarela. O projeto da Aspa promete restaurar toda a sua estrutura metálica, construir dois elevadores para facilitar o acesso de deficientes e erguer um toldo de proteção.

Questão de honra

O presidente da associação, Carlos Alberto Campilongo Camargo, é investidor e incorporador do hotel. Marcos Roberto Campilongo Camargo, diretor tesoureiro da Aspa, idem. Nilton Franceschi Alcântara e Alzira Camargo Neves Baptista, respectivamente diretor secretário e membro do conselho fiscal da entidade, são igualmente investidores e incorporadores do hotel.

"Fizemos o hotel e criamos a associação porque achamos que seria legal pintá-la, consertá-la. Vai beneficiar o hotel? Vai. O mundo é assim. Mas vai também beneficiar as pessoas que passam por lá, beneficiar toda a cidade", diz Carlos Alberto, rebatendo as acusações do promotor. A Secretaria de Subprefeituras e a Infraero não responderam à reportagem. A Assessoria de Imprensa da Accor, dona da rede Ibis, informou que o responsável do assunto está viajando.

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