Após três décadas de abandono, os primeiros 106 quilômetros da Rodovia SP-332, conhecida como Estrada Velha de Campinas, serão reformados nos próximos seis meses, em um investimento inicial de R$ 113,6 milhões do governo estadual. Com as obras, os 300 mil motoristas que circulam diariamente pelo complexo Anhangüera-Bandeirantes terão uma rota alternativa para escapar das duas praças de pedágio localizadas entre 11 cidades das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas.

A reforma da SP-332 é reivindicação antiga de transportadoras, caminhoneiros autônomos e motoristas que trafegam diariamente entre cidades como Valinhos, Jundiaí, Francisco Morato, Caieiras e Cajamar. Hoje, a pista está esburacada, não tem acostamento e a iluminação é precária, o que facilita assaltos a cargas de alimentos, segundo donos de transportadoras. Quem já foge dos pedágios pela Estrada Velha leva em média três horas para fazer o trajeto de Campinas a São Paulo - pela Rodovia Anhangüera, o trajeto em veículo pesado leva, em média, 1 hora e 20 minutos.

O trecho que será recuperado não tem previsão de ser tarifado. Segundo o Programa de Concessão de Rodovias, com dados disponíveis no site da Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a SP-332 só será tarifada próximo a Conchal, em 2009.

Com a ausência de pedágios, será criada uma "rota de fuga" no eixo mais urbanizado do País e quase sem divisões entre as cidades. São 22 milhões de habitantes nas duas regiões metropolitanas, responsáveis por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, aponta a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A (Emplasa).

O preço do pedágio nas praças da Anhangüera e da Bandeirantes é de R$ 5,90. Para Josué Manuel dos Santos, de 41 anos, que circula todos os dias entre Jundiaí e São Paulo, a ida e a volta com o caminhão de três eixos (R$ 17,70 cada pedágio) sai por R$ 35,40 pela Anhangüera. Pela rota alternativa, ele conseguiria economizar, descontados os sábados e domingos, R$ 708 por mês. "Hoje, eu já pego essa pista de vez em quando, mas não é sempre. Tem muito trânsito na chegada a São Paulo, perto de Pirituba. E aqui tem muitos acidentes por causa dos pedestres andando pelo acostamento", disse.

A redução de gastos é maior para Moacir de Oliveira, de 36 anos, caminhoneiro de uma transportadora de Campinas que usa a Anhangüera todos os dias para chegar à capital. Em um Mercedes-Benz ano 1981, de três eixos, ele passa por quatro pedágios todos os dias, o que resulta em gasto de R$ 70,80. Em 20 dias de trabalho no mês, a economia seria de R$ 1.416. "Hoje (ontem) eu vim pela Estrada Velha só porque a essa hora, meio-dia, não tem trânsito. No dia-a-dia não dá para usar isso aqui, o pneu fura uma vez por semana de tanto buraco."

O administrador de empresas André Takeda usa a Anhangüera ao menos três vezes por semana para ir a São Paulo e gasta, em média, R$ 270 mensais. "No estado em que a estrada velha está, acaba valendo mais a pena pagar o pedágio. Mas, se a recuperação for feita e se tornar uma opção confortável e segura ao pedágio, vale, sim, gastar um pouco mais de tempo", comentou.

Recursos

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que espera finalizar a licitação das obras até o dia 23.

O primeiro trecho que será reformado, orçado em R$ 52,4 milhões, compreende os 21,8 quilômetros entre São Paulo, Caieiras, Francisco Morato e Franco da Rocha, onde está o maior movimento da estrada, cruzada também por pistas vicinais e avenidas.

Nesse percurso já são realizadas melhorias de sinalização e nas encostas da pista pela Prefeitura de São Paulo.

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