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Reflexos da crise imobiliária nos EUA são sentidos até hoje

Jorge A. Bañales Washington, 9 ago (EFE) - A dura correção do mercado imobiliário nos Estados Unidos, que destruiu os sonhos de milhões de compradores de casas, ainda não chegou ao final e continuará prejudicando a economia americana durante algum tempo, garantem os analistas.

EFE |

Apesar da redução dos preços das casas iniciada em 2006, os analistas dizem que a crise começou há um ano, em 9 de agosto de 2007, quando o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) tiveram de intervir para fornecer liquidez aos mercados.

A "bolha imobiliária" começou a ser formada nos EUA em 2003, quando as entidades financeiras começaram a conceder as "subprime" (hipotecas de alto risco) a pessoas sem grande poder de compra.

Este fenômeno causou a demanda por casas e fez com que os preços disparassem, um processo que se prolongou por quase três anos.

Milhões de compradores assinaram hipotecas que tinham um valor fixo de dois a cinco anos, mas que depois aumentava, com a ilusão de que o preço da propriedade continuaria subindo.

Mas não foi o que aconteceu. Assim que o Fed aumentou o valor da moeda, a "bolha" estourou, os preços das propriedades caíram e muitos compradores se depararam com um encarecimento inesperado de suas hipotecas e descobriram que sua propriedade valia menos do que deviam aos bancos.

Este fenômeno acabou criando uma situação dramática, pois fez milhões de famílias enfrentarem a perda de suas casas, e as vendas de imóveis começaram a cair, com o conseqüente prejuízo para um dos setores considerados fundamentais para a economia americana.

Mas o pior para as famílias ainda está por vir. Segundo o Barclays Capital, no último trimestre deste ano, haverá aproximadamente US$ 7 bilhões em empréstimos pendentes que serão corrigidos em alta.

O valor subirá para cerca de US$ 20 bilhões no terceiro trimestre de 2009, e no segundo trimestre de 2010 poderá chegar a US$ 32 bilhões.

Segundo o Barclays, o aumento médio dos pagamentos mensais que as famílias terão de efetuar será de 30% no início de 2009, e poderá chegar a 80% no final de 2011.

"Esta é uma correção ainda em andamento, estamos longe da conclusão", disse à Agência Efe David John, da Heritage Foundation, um grupo conservador com sede em Washington.

"Não vai terminar até que os preços encontrem um novo nível razoável, ou seja, que a oferta e a demanda sejam equilibradas".

Segundo a Associação de Bancos Hipotecários, os pagamentos atrasados das cotas hipotecárias estão agora em seu nível mais alto em 20 anos.

Cerca de 15 milhões de compradores - 17% de todos os proprietários - devem mais do que o valor de seus bens imobiliários.

Segundo a associação, uma em cada dez hipotecas tem problemas de pagamento, o que não ocorria desde 1979.

Em junho passado, foram iniciados 252,36 mil trâmites de execução hipotecária - um ano antes eram apenas 88,19 mil.

"Em junho, o início de trâmites de execução chegou a um ritmo anual de 2,8 milhões", disse à Efe Dean Baker, do Centro de Pesquisa de Política Econômica. "O índice de propriedade voltou a cair para os níveis de 2000".

Em maio de 2007, a venda de casas novas atingiu um ritmo anual de 857 mil unidades. Em maio de 2008, o ritmo foi de 512 mil.

Baker explicou que "nem todas as pessoas afetadas perderam sua casa por execução hipotecária. Muitas, diante da realidade de não poderem pagar a hipoteca, tiveram de vendê-las sem lucro".

E, embora tenha se paralisado a construção de casas, um setor que tem amplo impacto econômico e de emprego, sobram no mercado imóveis prontos, que continuam reduzindo os preços.

Há mais imóveis disponíveis a preços razoáveis, mas os bancos estão receosos e se tornou muito mais difícil a obtenção de empréstimos para novos compradores.

Esta crise afeta uma faixa específica da população: as pessoas ou famílias que já tinham uma propriedade hipotecada e quiseram adquirir outra maior e mais cara.

As compras foram intensificadas nas áreas novas, que ofereciam conjuntos de casas enormes construídas longe dos centros de trabalho.

Seus compradores sofrem o golpe combinado dos preços mais altos da gasolina em seu transporte diário de ir e vir do trabalho.

As pessoas e famílias em bairros mais tradicionais, ou com salários baixos demais para tentar efetuar uma compra de risco, continuam em suas casas. EFE jab/fh/db

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