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BRASÍLIA - Seria possível enfrentar a crise financeira no Brasil se houvesse redução de 1 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) em cada uma das próximas cinco reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Também seria preciso um sexto corte, agora de 0,75%, o que resultaria numa melhora do cenário macroeconômico nacional. Essa é a avaliação de estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com o levantamento, que recebeu o nome de "A gravidade da crise e a despesa de juro do governo", a série de cortes resultariam  na redução do atual patamar de 12,75% ao ano para 7% ao ano, o que resultaria em uma economia fiscal de mais de R$ 30 bilhões. "Se esta redução de 5,75% ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal no ano de 2009 seria de R$ 43 bilhões, indica o levantamento do órgão ligado ao governo federal.

O estudo do Ipea ressalta que, neste momento, uma redução significativa do juros básicos teria um impacto positivo sobre o custo fiscal País, mas um efeito tardio sobre a chamada "economia real", ou seja, no bolso da população e das empresas. O diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, João Sicsú, afirma que, mesmo se o governo reduzisse a taxa de juros de 12,75% para 7% até o final do ano, o índice de inflação não se tornaria uma preocupação.

"Em tempos de crise, uma administração orçamentária/contábil responsável das finanças públicas deve continuar sendo um dos objetivos do governo. Para enfrentar a queda da arrecadação, a melhor política é a do corte das despesas com juro que remunera o carregamento da dívida pública", avalia ele.

"Cortar gastos sociais, correntes ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e reduzir ainda mais as possibilidades de crescimento. Portanto, cortar gastos públicos significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia", disse João Sicsú. 

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