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Os estacionamentos particulares da região do quadrilátero dos Jardins esperam lucrar R$ 10 mil por dia com a extinção de 513 vagas de Zona Azul. A estimativa é do Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos (Sindepark), que calcula receber 50% dos automóveis que ocupavam as ruas.

O restante, segundo o presidente da entidade, Sérgio Morad, devem ser realocados em outras áreas de Zona Azul.

Na segunda-feira, a Secretaria dos Transportes anunciou mudanças nas regras de estacionamento em vias do Jardim Paulista e Consolação, em uma tentativa de melhorar o fluxo do trânsito. Das 1.902 vagas de Zona Azul existentes no Jardim Paulista, 636 serão desativadas e 123 serão criadas. Na Consolação, serão desativadas 45.

Sérgio Morad diz que os 260 estacionamentos da região - que juntos oferecem aproximadamente 28 mil vagas - conseguirão absorver os automóveis que ocupavam as vagas que serão desativadas. "Essa demanda vai ser toda diluída com o tempo. Pode ser que haja problema em áreas como a da Alameda Lorena, onde não há muitos estacionamentos. Mas o número de carros que migrarem da Zona Azul não deve ultrapassar 5% da nossa capacidade", diz.

Administradores de estacionamentos, no entanto, discordam da opinião do sindicato e dizem que será difícil receber uma grande quantidade de veículos. Segundo o gerente da Rede Park, que tem sete estacionamentos na região, Márcio Mattos, não há uma ociosidade na rede particular para ser preenchida com novos automóveis. "Nós temos um número grande de convênios fixos. Além disso, temos uma grande rotatividade, que nunca deixa os pátios vazios", diz.

Em média, o preço dos estacionamentos particulares fica em R$ 12 na primeira hora e R$ 5 as demais. A Zona Azul custa R$ 1,80 por hora de estacionamento. A grande diferença é motivo de reclamação de muitas pessoas que costumam utilizar esse tipo de serviço. "Agora vamos ficar reféns dos estacionamentos, gastando mais de R$ 10 para ficar dez minutos em uma loja", diz a gerente comercial Carla Reis.

Embora as mudanças só entrem em vigor na próxima segunda-feira, grande parte das novas placas já foram colocadas nas ruas. No entanto, muitos motoristas não perceberam a nova sinalização e estacionaram em locais proibidos.

Foi o que aconteceu com o fisioterapeuta Fábio Santos, que visita uma vez por semana uma paciente na Alameda Jaú, uma das vias que passa por modificações. Fábio parou seu carro no lado direito, em frente a uma placa de proibido estacionar. "Nem percebi que tinha mudado. É estranho mesmo não ter carros aqui", diz.

Como os agentes só irão começar a autuar na próxima segunda-feira, muitas pessoas aproveitaram a vigência de regras para estacionar em locais que serão proibidos. "Eu sempre parei aqui e achei estranho a placa de proibido estacionar. Mas um marronzinho me disse que só vale a partir da semana que vem, então parei e não coloquei o cartão de Zona Azul", diz Paulo Andrade, que estacionou o carro na Alameda Campinas.

Alguns comerciantes da região dos Jardins dizem que a falta de lugares para estacionar pode prejudicar os negócios. "Meus clientes só param aqui rapidinho para deixar os calçados e depois para buscar. Às vezes nem é preciso colocar o cartão de Zona Azul", diz o sapateiro Cláudio Pinheiro, que tem uma loja na Alameda Jaú.

Modelo

Se a experiência no quadrilátero dos Jardins for bem-sucedida, a prefeitura irá repetir a extinção de vagas de estacionamento nas ruas em outras áreas da cidade. A Secretaria dos Transportes já realiza estudos em três regiões, mas ainda não divulga quais são elas. "Não há grande repercussão ao se mudar uma ou outra rua. Isso melhora a fluidez somente em alguns pontos. Mas, com um trabalho no conjunto, acaba havendo uma melhora significativa", diz o secretário municipal dos Transporte, Alexandre de Moraes, que confirmou a colocação de todas as novas placas na região dos Jardins até domingo. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Marcela Spinosa

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