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Redução de taxas é necessária, mas talvez insuficiente, segundo economistas

A redução coordenada das taxas de juros anunciada nesta quarta-feira por sete bancos centrais era, de fato, necessária e urgente, segundo economistas, que, no entanto, se perguntam sobre se a medida será suficiente para dissipar o pânico dos mercados gerado pela crise financeira.

AFP |

"Estava na hora", suspirou o economista chefe da KPMG em Londres, Andrew Smith. "Se o congelamento do mercado de crédito, uma crise bancária, uma derrubada das cotações na Bolsa e a prova de que a economia estava à beira do colapso não eram suficientes para justificar uma queda das taxas de juros, é difícil ver o que poderia justificar", disse.

"Os bancos centrais dizem ao mundo: não vamos permitir que as taxas de juros subam", o que terá um efeito tranqüilizador sobre os investidores, afirmou por sua vez José Villacis, professor de Economia da universidade espanhola San Pablo CEU.

"Era absolutamente urgente apagar o incêndio nos mercados financeiros que se propagou para a economia real, provocando a quebra dos bancos e o estrangulamento da tesouraria das empresas", explicou Alexander Law, do gabinete Xerfi.

Ainda que esta decisão seja classificada como "indispensável", não soluciona o "problema de fundo", estimou o economista francês.

Para Julian Jessop, da Capital Economics de Londres, a redução das taxas (em meio ponto percentual em quase todos os casos), realizada de forma programada por seis grandes bancos centrais, aos quais se uniu a instituição chinesa, "veio, pelo menos temporariamente, reforçar a confiança, embora tenhamos medo do que ainda está por vir".

"Para começar, o fato de que os bancos centrais se viram obrigados a tomar medidas tão extremas ilustra até que ponto a situação se degradou. Além disso, o Fed (Federal Reserve) já havia reduzido suas taxas de 5,25% em setembro de 2007 para 2% antes da decisão de hoje, sem que isso fosse capaz de preservar o sistema financeiro ou a economia real", analisou.

"Meio ponto adicional não fará uma grande diferença e não bastará, na verdade, para equilibrar a alta das taxas de juros registrada nos mercados nas últimas semanas", continuou Jessop, para quem as taxas continuam elevadas no Reino Unido (4,5%) e na zona do euro (3,75%).

Já o economista David Wartenweiler, do banco suíço Julius Baer, apontou que a queda coordenada das taxas "faz parte do tratamento, embora o paciente continue em terapia intensiva, longe de estar curado".

Diagnóstico semelhante foi emitido por Sylvain Broyer, economista do banco Natixis: "O futuro dirá se era suficiente para pôr fim à desconfiança que reina entre os atores do mercado".

A ação, que incluiu Fed, Banco Central Europeu (BCE), banco central do Canadá, Banco da Inglaterra, banco central sueco e Banco Nacional da Suíça "possui um efeito psicológico importante para os atores do mercado e permite o refinanciamento a um custo mais moderado", mas seus efeitos "demorarão pelo menos um ano para se fazer sentir nos investimentos e um ano e meio para influenciar a inflação", acrescentou.

bur/ap/sd

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