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Redução de tarifa da UE para banana prejudicaria Caribe, diz negociador

Genebra, 25 jul (EFE).- A diminuição da tarifa da União Européia (UE) para a banana, de 176 para 150 euros por tonelada a partir de 2009 e para 116 euros em 2015, significaria a morte das indústrias de bananas em países caribenhos exportadores da fruta, disse hoje um negociador ligado às negociações sobre o assunto.

EFE |

Um grupo de países latino-americanos mantém um antigo litígio com a UE pelas tarifas (de 176 euros) com as quais taxa as importações de banana latino-americanas, enquanto esta mesma fruta proveniente de países de África, Caribe e Pacífico (ACP) entra no mercado europeu totalmente livre de impostos alfandegários.

Isto foi denunciado pelos latino-americanos diante da Organização Mundial do Comércio (OMC), que emitiu várias opiniões legais dando razões a eles.

Os principais latino-americanos afetados são Equador e Costa Rica, primeiro e segundo exportadores mundiais da fruta, respectivamente, assim como Panamá, Colômbia e Guatemala.

Em entrevista à Agência Efe, o diplomata jamaicano Júnior Lodge, que representa a região caribenha, assegurou que os países da ACP não negam que os "irmãos latino-americanos tenham direito a uma parte justa do mercado europeu".

"No entanto, é importante lembrar que eles já têm 80% do mercado, que é o único para nós", acrescentou.

Neste sentido, disse que os países da ACP e os caribenhos, em particular, não podem aceitar a recente proposta do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, para resolver esta controvérsia.

Nela, propõe-se a diminuição da tarifa atual para 150 euros a partir de primeiro de janeiro de 2009 e a continuação de cortes anuais até se chegar a 116 euros em 2015.

O negociador considerou que esta colocação é "onerosa demais" para os países da ACP.

"Estamos sofrendo com os altos preços dos alimentos e da energia, por isto que neste momento as receitas geradas por nossas exportações de banana são sumamente importantes", declarou Lodge.

Ele reconheceu que a "guerra da banana" dividiu dois grupos de países em desenvolvimento e que agora é fundamental "romper o ciclo de litígios" enfrentado por eles.

Os países da ACP apresentaram ontem uma contraproposta à de Lamy, na qual aceitam a redução inicial no próximo ano, mas exigem quatro anos durante os quais a tarifa sobre a banana ficaria no mesmo nível, para depois começar novamente a ser rebaixada, até chegar a 116 euros em 2019.

Querem que os países latino-americanos fiquem de fora da liberalização agrícola que é negociada na OMC em uma lista de 42 produtos tropicais, que a ACP produz e exporta para UE e Estados Unidos com preferências comerciais.

Em caso de uma liberalização estas preferências deixariam de ter valor.

Lodge negou que os países da ACP estejam usando o tema da banana para obterem concessões em produtos tropicais.

Embora tenha dito que não queira "entrar em um jogo de culpas", afirmou que os latino-americanos disseram que, caso eles (os países da ACP) aceitem cortes em bananas mais onerosos do que os propostos por Lamy, estariam dispostos a mostrar flexibilidade.

A questão da banana é negociada entre os dois grupos em Genebra de forma paralela à reunião ministerial da OMC, na qual tenta se salvar as negociações da Rodada de Doha, destinadas a conseguir uma maior liberalização do comércio mundial agrícola, industrial e de serviços. EFE is/fh/fal

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