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Recuperação judicial protege Casa Vídeo de dívidas de R$ 300 milhões

RIO - A Casa & Vídeo pediu recuperação judicial para se proteger contra dívidas de pouco mais de R$ 300 milhões e cerca de 500 credores. A informação foi dada pelo advogado Fábio Carvalho, representante da consultoria Alvarez e Marçal, que cuida da reestruturação da empresa fluminense de varejo.

Valor Online |

Carvalho fez questão de frisar que as dificuldades financeiras da companhia eram anteriores à operação " Negócio da China " , desencadeada pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2008 e que levou à prisão, na época, de 13 integrantes da cúpula da rede de varejo. O advogado explicou que as dificuldades de crédito da empresa começaram com a piora da crise econômica, ainda em setembro, situação agravada pela operação da PF.

" A situação não é decorrente do bloqueio de contas, mas do momento do varejo no mundo todo " , ressaltou Carvalho. " A partir de setembro, a renovação de dívidas de curto prazo para capital de giro ficou mais difícil. "
O presidente da Casa & Vídeo, Fernando Luzio, revelou que desde novembro a empresa demitiu cerca de 1,8 mil funcionários. Segundo o executivo, cerca de 500 foram dispensados devido a movimentos normais de redução de mão-de-obra depois das festas de fim do ano, Outros 1.296 saíram em decorrência da decisão da empresa de reduzir o número de lojas. Recentemente a Casa & Vídeo fechou oito unidades, consideradas deficitárias: sete no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.

Atualmente a rede especializada em utilidades para o lar e eletroeletrônicos conta com 69 lojas e mais de 4 mil funcionários. Com o pedido de recuperação judicial, a companhia ganhou um prazo de dois meses para apresentar um plano de recuperação que deve ser aprovado pelos credores. Caso o prazo não seja cumprido, a juíza Maria da Penha Victorino, da 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, poderá decidir pela falência do grupo.

O advogado Flávio Galdino, do escritório Leoni Siqueira - que elaborou o pedido de recuperação judicial -, minimizou o risco de o processo criminal, que corre em segredo de justiça, interferir no plano de recuperação. Segundo ele, a Receita Federal, que pediu o arresto de bens da empresa, não entrará como credora no processo de recuperação judicial. " É remotíssima a hipótese de interferência do processo criminal na recuperação judicial " , disse Galdino. Entre as acusações contra os controladores da companhia estão evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e descaminho (contrabando).

(Rafael Rosas | Valor Online )

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