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Recuperação da bolsa pode levar de 4 a 15 anos

O professor de matemática Décio Pecequilo, de 68 anos, é a memória viva do mercado de capitais brasileiro. Em janeiro, completa 40 anos no ramo.

Agência Estado |

Nesse período, vivenciou de tudo: crises da dívida externa, desvalorizações cambiais, escândalos financeiros, recessões ao redor do mundo, etc. A crise atual, diz ele, é a pior. Mesmo assim, ele se mostra animado com as perspectivas para os investimentos em bolsa de valores. "Os preços das ações estão extraordinariamente atraentes", garante ele, que hoje é operador sênior da TOV Corretora.

As palavras do experiente profissional talvez sirvam de estímulo para aqueles que pretendem entrar no mercado acionário, seguindo o princípio básico alardeado por 10 entre 10 analistas: comprar na baixa e vender na alta. Mas não consolam os milhares de brasileiros que foram engolidos pelo mergulho do Índice Bovespa de maio para cá. Uma queda, aliás, que entrará para os livros como a quarta maior da história do indicador, criado em 1968.

O Ibovespa despencou 49,3% desde que atingiu o pico de 73.516 pontos, no dia 20 de maio. O tamanho do tombo não era previsto nem pelo mais pessimista dos analistas e, por isso, pegou a maioria dos investidores, principalmente as pessoas físicas, desprevenidas.

Já há especialistas que temem uma freada na migração dessas pessoas para a bolsa, como já ocorreu em outros momentos da história. Afinal, nos últimos anos, milhares de brasileiros venceram o medo e escolheram as ações para aplicar parte de suas economias. De 94.320 pessoas em dezembro de 2003, foram para 550.562 em setembro deste ano, ou seja, um avanço de 484%.

"Infelizmente, a maioria das pessoas, não só no Brasil, mas no mundo todo, compra na alta e vende na baixa", afirma o administrador de investimentos Fabio Colombo. "Tem muita gente machucada, que não quer mais entrar na bolsa."

Na avaliação de Colombo e de outros especialistas, o histórico da bolsa brasileira pode ser um guia para o que esperar daqui para frente - fazendo-se a ressalva de que o cenário econômico pode mudar drasticamente ao longo do tempo.

O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) Simão Silber lembra que, nesses 40 anos de vida, o Ibovespa teve quatro grandes ondas de alta, sucedidas por quatro grandes quedas, sendo a última a dos dias de hoje.

Olhando com atenção o gráfico histórico do Ibovespa, observa-se que foram necessários, no mínimo, quatro anos para que o indicador se recuperasse de um tombo dessa magnitude. O período mais longo, de quase 15 anos, foi entre 1971 (logo depois que o brasileiro "descobriu" a bolsa) e 1986, na época do Plano Cruzado.

As perspectivas de recuperação da forte queda de 2008 são incertas. Ninguém se arrisca a estimar um período. O que se sabe é que o movimento foi detonado por uma crise externa. Isso o difere dos anteriores. Em 1971, havia claramente uma bolha provocada pelos investidores locais. A retomada foi atrasada por várias crises: do petróleo, da dívida e da inflação alta nos EUA, entre outros fatores.

O mergulho entre 1986 e 1998 também foi provocado por questões nacionais - o fracasso do cruzado. A desvalorização do real, em 1999, derrubou o Ibovespa novamente, que só se recuperou plenamente em 2003. Ali se iniciou o mais longo período de alta da bolsa brasileira, encerrado em maio deste ano.

O professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, observa que, desde a estabilização monetária, em 1994, com o Plano Real, a bolsa ganhou mais do que outras aplicações. Em média, rendeu 17,49% ao ano, ante 14,95% dos CDBs pós-fixados e 12,54% da caderneta de poupança: "A bolsa tem mesmo um risco muito alto, é instável no curto prazo, mas, em períodos mais longos, rende mais."

Esse olhar em perspectiva parece dar razão a Pecequilo. O tamanho do longo prazo é que torna a aposta de alto risco. Até porque, como disse o brilhante economista inglês John Maynard Keynes, "a longo prazo, estaremos todos mortos".

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