SÃO PAULO - As negociações de dissídios salariais na primeira metade deste ano ficaram mais apertadas e os casos de taxas de reajustes iguais ou acima da inflação ocorreram em menor número do que nos últimos dois anos. É o que mostra o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que indicou que 85,8% dos acordos fechados (309) pelos sindicatos no período alcançaram a recomposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Conforme o estudo, de janeiro a junho do ano passado essa recomposição havia abarcado 96,6% dos acordos, fatia parecida com a indicada na primeira metade de 2006. O desempenho verificado nesse ano ficou apenas ligeiramente acima do apurado no primeiro semestre de 2005 (85,1%).

Considerando os casos de aumento real de salário, ou seja, acima da inflação, 73,5% das negociações chegou a esse ponto, o que também ficou abaixo do nível registrado nos últimos dois anos, de 84,4% em 2006 e 87,1% em 2007. Em contrapartida, os reajustes que não conseguiram recompor a inflação somaram 14% do total, ante 3% em 2007.

Quando o parâmetro de inflação considerado para reajuste é o Índice de Custo de Vida (ICV) do Dieese, o percentual de acordos com reajuste acima de inflação chega a 98%, com apenas 2% dos casos registrando o contrário. Essa diferença se deve ao fato de o ICV ter registrado variações menores no período na comparação com o INPC.

Regionalmente analisados, os dados mostram que os melhores resultados de negociação no primeiro semestre deste ano foram obtidos nas regiões sul e Centro-Oeste, com cerca de 85% de sucesso na obtenção de reajustes acima da inflação. No Sudeste e Nordeste, esse resultado foi obtido em 70% dos acordos. No Norte, a taxa de sucesso foi de 63%.

Por setor da economia, o comércio e a indústria foram os que mais concentraram os reajustes acima da inflação, com 80% dos acordos com ganho real de salário. Os que obtiveram reajuste igual à taxa de inflação chegaram a 11% no caso da indústria e 4% no comércio. Já no setor de serviços, os aumentos reais foram obtidos em apenas 64% das negociações.

(Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.