O Japão entrou numa recessão econômica mais profunda do que o governo esperava, com o PIB (Produto Interno Bruto) em quedas muito superiores às primeiras estimativas, segundo dados revisados publicados nesta terça-feira.

O PIB japonês recuou 0,5% no terceiro trimestre - de julho a setembro - em relação ao anterior, e não 0,1% conforme previsto anteriormente. A queda é portanto de 1,8% em ritmo anual, em vez de 0,4%.

Esta nova previsão é duas vezes pior que as previsões médias dos economistas (queda de 0,9% em ritmo anual).

O governo arredondou o desaquecimento do segundo trimestre para 1% (ou seja, queda de 3,7% em ritmo anual), contra uma queda de 0,9%, segundo dados anteriores.

Pela primeira vez em sete anos, o Japão, segunda potência econômica do mundo, é entrou completamente em recessão, situação definida comumente por dois trimestres consecutivos de diminuição do PIB.

"Estes dados indicam que a atividade econômica se contrai mais rapidamente que o previsto e que a recessão será mais severa", advertiu Glenn Maguire, economista do Société Générale em Hong Kong.

Os dados sombrios desta terça-feira, devido à crise econômica global, confirmam o fim de um longo período de redirecionamento iniciado em 2002, que seguiu à década de 1990 marcada pela estagnação após a explosão da bolha financeira e imobiliária no fim dos anos 1980.

A revisão em forte baixa das estatísticas do terceiro trimestre considera os investimentos em capital das empresas do setor privado, os quais foram inferi9ores às simulações iniciais.

Os industriais japoneses são vítimas de um enfraquecimento da demanda nos países ocidetnais, duramente afetados pela crise econômica mundial. Eles hesitam a investir, por medo de entrar numa situação de produção acima de sua capacidade de produção e estoques excedentes.

As exportações, que foram nos últimos anos o principal motor da economia japonesa, aumentaram apenas 0,8% em um trimestre (alta de 3,4% ao ano).

"A queda das compras de produtos de alta gama no ocidente atingiu severamente os grupos japoneses do automóvel e da eletrônica", comentou Hirokata Kusaba, economista da Mizuho Research Institute citado pela Dow Jones Newswires.

"A baixa do ânimo dos consumidores estrangeiros amplifica as dificuldades econômica dos Japão e isso vai provavelmente continuar", comentou Naomi Fink do banco Tokyo-Mitsubishi UFJ.

As pequenas estruturas de inúmeros setores, automaticamente fragilizadas pela crise, enfrentam dificuldades de acesso ao crédito para sobreviver.

Neste contexto, o consumo das famílias japonesas não foi suficiente para compensar as perdas em investimentos privados e públicos, apesar de ter aumentado 1,2% ao ano.

As expectativas do governo japonês em julho de registrar um crescimento de 1,3% para os 12 meses do exercício orçamentário de abril de 2008 a março de 2009 caíram por terra, segundo especialistas.

"Para isso, seria preciso um aumento de 2,2% do PIB em cada um dos dois trimestres restantes (outubro a dezembro e janeiro a março)", ressaltou um editorial do grupo de imprensa econômico Nikkei.

"Na atual conjuntura, onde todos os setores econômicos estão contaminados, é impossível", declarou.

A Organização para a Cooperação e do Desenvolvimento Econômicos (OCDE), prevê por sua vez vários trimestres consecutivos de queda. Ela espera um avanço do PIB japonês de 0,5% para o ano 2008, graças a um bom primeiro trimestre, mas prevê uma recessão de 0,1% em 2009.

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