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Recessão global já entra no cenário dos analistas

Embora ainda alimentem a esperança de que algum plano modificado de saneamento do sistema financeiro volte ao Congresso americano e seja aprovado, os analistas no Brasil já traçam cenários para a pior hipótese - de que o Tesouro e o Federal Reserve (Fed, banco central americano) tenham de enfrentar a pior crise financeira desde a Grande Depressão sem carta branca para sanear os bancos. Se a negativa do Congresso persistir, as projeções são as piores possíveis, com uma contração violenta de crédito nos Estados Unidos e a possível continuação da quebradeira bancária, talvez incluindo também a Europa.

Agência Estado |

Neste caso, uma recessão global e uma desaceleração bem mais drástica do Brasil em 2009 são hipóteses prováveis. Ainda assim, os analistas acham que os efeitos na economia brasileira não chegarão a ser catastróficos.

"A conseqüência menos grave de não se aprovar o pacote é a de se provocar uma contração de crédito extraordinária, o que vai afetar o consumo e os investimentos nos Estados Unidos", diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander no Brasil. A conseqüência mais grave, ele continua, seria a quebradeira bancária e uma crise sistêmica sem atenuantes.

Aloísio Araújo, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas no Rio (FGV-Rio), observa que, na ausência do pacote levado ao Congresso, o Tesouro americano e especialmente o Fed terão de se virar com os instrumentos que já vinham utilizando. O primeiro deles é o uso da gigantescas injeções de liquidez no sistema bancário - ontem, apenas, o Fed articulou com outros BCs uma injeção adicional de US$ 630 bilhões nos mercados globais.

A segunda arma é o que Araújo chama de "persuasão moral", e consiste no poder que as autoridades econômicas têm de induzir os bancos em melhor situação a comprar os que não conseguem mais se sustentar. Um exemplo recente é o da aquisição do HBOS pelo Lloyds TSB, dois bancos britânicos, que teria tido um empurrão decisivo do primeiro-ministro Gordon Brown.

O terceiro instrumento é o corte dos juros básicos, que nos Estados Unidos já estão no nível muito baixo de 2%, mas poderiam ir até praticamente zero. Schwartsman, porém, acha que, com a saúde dos bancos fortemente abalada, a redução dos juros básicos terá muito pouco efeito de estimular o crédito.

Edward Amadeo, economista da Gávea Investimentos, acha provável que o pacote de apoio aos bancos volte ao Congresso numa nova versão e seja aprovado. Mas, caso isso não ocorra, ele acha que a desaceleração do Brasil em 2009 será maior, apesar dos bons fundamentos, como contas públicas em ordem, inflação controlada e a atuação de empresas de qualidade.

Schwartsman avalia que a queda das importações fará com que a demanda tenha de ser contida mais rápida e drasticamente, não podendo continuar a crescer a um ritmo de dois pontos porcentuais acima do PIB, como ocorreu nos 12 meses até junho.

Mas ele nota que a situação do Brasil melhorou. Como hoje o setor público é credor líquido em dólares, uma cotação da moeda americana como a do fechamento de ontem (R$$ 1,967), caso se mantivesse indeterminadamente, significaria uma queda da dívida líquida do setor público de 40% para 37,5% do PIB.

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