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María Luisa González. Madri, 20 dez (EFE).- A crise financeira internacional deixou sua marca na Espanha em 2008, especialmente nos últimos meses do ano, com um forte aumento do desemprego e o colapso do setor da construção, motor da economia espanhola na última década.

Ao "desmoronamento" da construção, que emprega grande número de imigrantes, uniram-se a desaceleração econômica e a queda do consumo, fatores que levaram o número de desempregados a quase três milhões - 2.989.269, índice que não se registrava desde 1996.

Esses dados obrigaram o Governo, presidido pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero - reeleito para mais quatro anos nas eleições gerais de 9 de março -, a adotar medidas de urgência.

Em 27 de novembro, o Executivo apresentou uma bateria de medidas anticrise, respaldadas por uma dotação financeira de 11 bilhões de euros (cerca de US$ 14 bilhões), com o objetivo de criar 300 mil postos de trabalho e combater a desaceleração econômica.

Os últimos números mostram que a Espanha beira a recessão após experimentar, entre os meses de julho e setembro, sua primeira queda de crescimento em 15 anos. O recuo foi de 0,2%, o que, segundo todas as previsões, se repetirá nos próximos trimestres.

A crise do desemprego, que começou no setor da construção, estendeu-se aos serviços, sendo estes os dois setores com maiores taxas de falta de oportunidades de trabalho, seguidos pela indústria.

A especial concentração de estrangeiros como trabalhadores na construção e nas empresas que prestam serviços faz com que os imigrantes sofram também as conseqüências e comecem a ter sérias dificuldades para encontrar emprego ou pagar suas hipotecas e faturas.

A Espanha recebeu nos últimos anos um grande número de imigrantes procedentes principalmente da América Latina, do Marrocos e da Romênia.

Para ajudar os desempregados, o Governo aprovou um plano para que eles possam receber o pagamento do seguro-desemprego em seus países de origem a fim de lhes facilitar o retorno.

Além da crise econômica, o ano que termina deixou novamente na Espanha a marca do terrorismo da organização basca ETA, que, após retomar a violência em dezembro de 2006, assassinou quatro pessoas ao longo de 2008, ano em que, no entanto, sofreu grandes revezes com a prisão de alguns de seus principais líderes.

O empresário basco Ignacio Uria Mendizabal, assassinado a tiros em 3 de dezembro, foi a última vítima fatal da ETA. Antes, haviam morrido pelas mãos do grupo o ex-vereador socialista Isaias Carrasco, em 7 de março num atentado às vésperas das eleições gerais, o guarda civil Juan Manuel Piñuel e o soldado do Exército Luis Conde de la Cruz.

No entanto, a ETA, que surgiu no País Basco em 1968 e que busca pelas armas a independência dessa comunidade autônoma do norte da Espanha, recebeu golpes muito importantes.

Em pouco mais de seis meses, a organização terrorista perdeu três de seus chefes, detidos em operações conjuntas das polícias francesa e espanhola.

A detenção, no dia 8 de dezembro na França, de Aitzol Iriondo Yarza, quando iria se reunir com outros membros da ETA, deixou o grupo sem comando pela segunda vez em três semanas.

Iriondo era um dos membros da ETA mais procurados e, segundo o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, o novo "número um" na estrutura "militar" da organização, após a detenção, em 17 de novembro, na França, de Mikel Garikoitz Aspiazu, considerado até então, seu chefe máximo.

A estreita cooperação e coordenação entre as polícias da França e da Espanha faz com que os membros da ETA tenham cada vez mais problemas para encontrar um refúgio seguro e, segundo os analistas, deixaram os terroristas encurralados.

Um dos fatores que contribuiu para essas detenções foi que a França aceitou que agentes da Guarda Civil espanhola possam realizar trabalhos de vigilância em seu território.

O ano de 2008 deixou na Espanha também a marca da tragédia com o acidente de um avião MD82 da companhia Spanair, que em 20 de agosto falhou ao tentar decolar do aeroporto de Madri-Barajas, matando 154 pessoas.

As causas do acidente, no qual apenas 17 pessoas sobreviveram, ainda não foram esclarecidas e estão sob investigação. EFE mlg/jp