Dublin, 19 fev (EFE).- A recuperação econômica da Irlanda do Norte, essencial para a superação do conflito sectário que castigou a região por quase quatro décadas, pode ser interrompida pela recessão na República da Irlanda.

Segundo o Comitê de Empresas, Comércio e Investimento (ETI) do Parlamento autônomo norte-irlandês, a dependência do norte a respeito do sul da ilha pode piorar sua situação, dadas as estreitas relações entre ambos, sobretudo em turismo e em desenvolvimento empresarial.

Os dados deste Comitê parlamentar preveem a perda de mais de 20 mil empregos para este ano na população de apenas 1,7 milhão de habitantes da Irlanda do Norte.

O setor mais castigado, como na República da Irlanda, é o da construção, segundo o ministro norte-irlandês de Emprego, Reg Empey, do moderado Partido Unionista do Ulster (UUP).

A economia regional ainda depende em grande medida do setor público, sobretudo depois da recente desaparecimento da indústria têxtil e de estaleiros.

O Ministério da Fazenda paga os salários de um de cada três trabalhadores, com a Irlanda do Norte concentrando mais de 200 mil funcionários públicos, enquanto a Irlanda -com uma população quase três vezes maior- tem apenas 280 mil.

O Governo de Belfast prometeu no ano passado, antes do começo da crise, criar 6.500 novos postos de trabalho no setor privado entre 2008 e 2011 e a aumentar em 25% o investimento em infraestrutura desenvolvida por Londres.

Promessas, que, segundo analistas, agora estão no ar, assim como parte dos 51,5 bilhões de euros que o Governo britânico ofereceu à região em 2007 para contribuir em sua recuperação econômica durante quatro anos, no chamado "dividendo de paz". EFE ja/jp

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