Os bancos foram salvos pelos Estados. Agora, o problema é a recessão.

Nem os mais de US$ 2 trilhões anunciados na Europa nem as garantias aos correntistas foram suficientes para evitar mais um dia de fortes quedas nas bolsas européias ontem. Os sinais cada vez mais claros de recessão afundam agora não apenas as ações de bancos, mas também de montadoras, mineradoras e empresas de vários setores produtivos. A cada dia, o que se constata é que a crise está passando de turbulência financeira para um temor real de recessão prolongada da economia européia.

Hoje, o governo alemão anuncia que sua economia ficará estagnada em 2009. Ontem, a chanceler Angela Merkel alertou que o mundo "enfrenta seu pior teste econômico desde 1920". A previsão assustou os mercados. Em Londres, a bolsa sofreu queda de 5,4%, ante 4,8% na França. Na Alemanha, a queda foi de 4,4%, e já se fala em retração real da produção do país em 2009.

O índice Dow Jones Euro Stoxx 50 fechou em baixa de 6,5%. No ano, a queda é de 40%. "É o começo do fim da crise financeira, mas o que vem agora é uma recessão global", disse Emmanuel Morano, chefe de gerenciamento de ações da empresa La Française des Placements.

As bolsas tiveram uma segunda-feira positiva com o pacote europeu, mas na terça já começaram a indicar fraqueza. Ontem, voltaram a desabar, principalmente depois de os índices de confiança terem revelado as piores taxas em uma década.

Em mais uma tentativa de desbloquear os mercados de crédito, o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional Suíço emprestaram ontem aos bancos US$ 254,3 bilhões. França e Irlanda já estão em recessão. Reino Unido e Espanha caminham para isso até o fim do ano.

Falando ao Parlamento, Merkel admitiu que a crise afetará a economia alemã. A previsão inicial era de crescimento de 1,2%. Mas não deve passar de 0,2%. O governo admite que essa seria "a melhor das hipóteses" e não descarta uma contração real na economia. "Vamos entrar em período muito difícil em 2009", diz o ministro das Finanças, Peer Steinbrueck. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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