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O secretário-adjunto da Secretaria da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, admitiu que a maior preocupação em relação aos efeitos da crise na arrecadação é com a lucratividade das empresas em 2009. Ele explicou que a crise pode reduzir o lucro das empresas e impactar a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Cartaxo observou que esses dois tributos são o "carro-chefe" da arrecadação. Segundo ele, a arrecadação do IRPJ e da CSLL foi responsável por 47,79% do aumento da arrecadação no período de janeiro a setembro. Por enquanto, afirmou o secretário, a arrecadação de setembro não espelha os efeitos da crise. Ele destacou que demora de "três a quatro meses" para a arrecadação refletir o impacto da crise. "Os efeitos não são automáticos", disse.

A arrecadação de impostos e contribuições federais no mês de setembro totalizou R$ 55,663 bilhões, o que representa uma alta real pelo IPCA de 8,06% em relação a setembro de 2007. Na comparação com agosto deste ano, o crescimento foi de 2,95%, segundo dados da Receita. O valor de setembro é recorde para o mês. No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação totaliza R$ 499,225 bilhões, um crescimento real de 10,08% em relação ao mesmo período de 2007. Em valores nominais, a arrecadação acumulada no ano já é R$ 69,233 bilhões maior do que a do mesmo período em 2007.

O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), em decorrência da arrecadação atípica de R$ 655 milhões no mês, apresentou um
crescimento de 67,07%, em relação a setembro do ano passado. Essa arrecadação atípica de IRPF se refere a ganhos de capital na alienação de bens em decorrência da venda de uma empresa.

O IPI sobre automóveis, na mesma comparação, apresentou um
crescimento de 11,45%, decorrente, sobretudo, da expansão de 13,65% no volume de vendas no mercado interno.

A elevação da taxa de câmbio teve reflexos na arrecadação do Imposto sobre Importação (II) e do IPI vinculado às importações, que tiveram aumento respectivamente de 50,10% e 84,81% na arrecadação do mês de setembro em comparação a igual mês do ano passado. A arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) cresceu 15,39%, e a da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), 20,27%.

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