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Receita global da AGCO deve subir 26% em 2008, para US$ 9 bi

São Paulo, 13 - A AGCO multinacional norte-americana do setor de máquinas agrícolas estima encerrar o ano de 2008 com aumento de 26% na receita com receita mundial de US$ 9 bilhões. A América do Sul representa 36% deste total, sendo que o principal mercado é o Brasil, seguido da Argentina.

Agência Estado |

O mercado brasileiro representa 70% da receita da AGCO na América do Sul.

A empresa prevê para este ano vendas de tratores em torno de 42 mil máquinas, desempenho 34% acima do registrado no ano passado, quando foram vendidas 31,3 mil máquinas, consolidando a liderança da companhia neste segmento. O market share da AGCO no mercado de tratores, que inclui no Brasil as marcas Challenger, Massey Ferguson e Valtra, é de 55%.

"Para o segmento de tratores, este é o melhor ano da companhia, superando a marca registrada em 2002, quando foram vendidas 33,2 mil máquinas", disse André Carioba, vice-presidente da AGCO para a América do Sul. Para o próximo ano, a empresa espera manter o ritmo de crescimento registrado neste ano, porque acredita que os fundamentos continuaram firmes, com a grande demanda por biocombustíveis e por proteína animal nos países emergentes.

Mercados

O presidente da AGCO, Martin Richenhagen, hoje em entrevista coletiva que as vendas da companhia podem crescer em torno de 15% ao ano na próxima década. Os grandes mercados para a AGCO, além do Brasil, estão no Leste Europeu e na Ásia. O executivo destacou que países como Índia e Brasil podem aumentar a participação de máquinas agrícolas com maior potência. No país asiático, cujo mercado de máquinas agrícolas está em aproximadamente 280 mil unidades, a potência média das máquinas varia de 80 a 100 cavalos. No Brasil, a potência média é um pouco superior: varia de 100 a 150 cavalos.

Outro mercado destacado pelo executivo foi o Leste Europeu, onde os países estão investindo para aumentar a área plantada e produção agrícola. "Esses países vão precisar de novas máquinas para manter o ritmo de crescimento agrícola", disse Richenhagen.

Investimentos

Embalada pela perspectiva de encerrar o ano com o melhor desempenho já registrado no País, a AGCO vai investir US$ 50 milhões nas unidades de produção de máquinas e implementos agrícolas instaladas no Brasil. Deste total, U$ 10 milhões serão destinados para a fábrica de implementos agrícolas Sfil.

Os recursos anunciados hoje fazem parte de um programa anunciado no ano passado pela AGCO, que previa investimentos da ordem de US$ 150 milhões divididos em três anos.

"A Sfil já trabalha no limite de sua capacidade. Vamos investir para ampliar o número de empregados e as instalações. A meta é dobrar a capacidade", afirmou Carioba. Segundo ele, a Sfil está sendo beneficiada pela grande rede de distribuição no Brasil. A meta da companhia é dobrar a capacidade de produção da unidade para até 5 mil itens já no próximo ano.

A Sfil, que fica em Ibirubá (RS), foi adquirida em setembro do ano passado, quando a companhia detinha cerca de 25% do mercado de implementos agrícolas, como plantadeiras e colheitadeiras. Segundo Carioba, a participação da empresa neste segmento soma 60%, mas pode chegar a 80% com os investimentos projetados pela AGCO.

Os investimentos da companhia no segmento de implementos incluem o desenvolvimento de um pulverizador, produto que ainda não é encontrado na linha de produtos da AGCO, que deve ser lançado no mercado até 2010. Além disso, a empresa tem um protótipo de colhedora de cana, sendo testado em campo, e mais três em desenvolvimento, cujos testes devem ser iniciados a partir de novembro. Os modelos devem entrar no circuito comercial também a partir de 2010.

Dívidas Rurais

Os problemas de crédito no Centro-Oeste, em especial em Mato Grosso, devem ser resolvidos à medida que o governo brasileiro equacione a dívida do setor rural na região, avaliou Richenhagen. Para o CEO, o os produtores precisam de políticas estáveis para o setor. "É preciso resolver a dificuldade de fluxo de massa monetária no Brasil", afirma.

O executivo observou que o endividamento foi discutido ontem durante jantar realizado com representantes do setor agropecuário e com ex-ministro Roberto Rodrigues. Ele minimizou o impacto da crise econômica global sobre as vendas do setor e lembrou que o problema de endividamento agrícola teve peso maior sobre a disponibilidade de crédito para a aquisição de máquinas agrícolas.

Richenhagen lembrou que, no último ano, o governo prorrogou por três vezes os prazos de vencimento das dívidas. "A medida criou instabilidade no mercado e gerou problemas de liquidez neste ano. O governo tem que tornar mais claras as regras para acertar os débitos do setor agrícola", afirmou o executivo.

Na avaliação do vice-presidente da AGCO para a América do Sul, André Carioba, o aumento dos recursos destinados ao setor agropecuário - como os R$ 5 bilhões anunciados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal financiador para as compras de máquinas agrícolas - é uma medida importante, mas ponderou que falta agilidade para a liberação destes recursos.

"Leva muito tempo para este crédito chegar do banco ao cliente na ponta final. Os bancos estão sentados nesta massa de recursos, mas o prazo do agricultor para buscar estes recursos é muito limitado", disse ele referindo-se à janela do agricultor para trabalhar no campo. Segundo ele, a falta de crédito neste momento poderá afetar as vendas de colheitadeiras.

Crise global

Para os executivos da empresa, a crise é um momento propício para crescer. Richenhagen observou que após a crise, os bancos e companhia serão mais fortes. "A AGCO mantém firme posição no mercado internacional. O plano é otimizar os custos para investir e produzir mais no futuro", afirma o CEO da empresa.

O executivo observa que a empresa sofreu com o aumento dos preços de insumos neste ano, como a disparada das cotações do aço no mercado internacional, mas aponta que agora a tendência é de queda dos preços, reduzindo a pressão de custo. O Grupo AGCO também registrou perdas da ordem de US$ 300 milhões por conta das variações de câmbio, um prejuízo que deve ter pequeno impacto diante do aumento de 26% na receita para US$ 9 bilhões previsto para este ano. A variação do dólar no mercado brasileiro, por exemplo, fez a empresa aumentar as importações de componentes das unidades indianas na tentativa de otimizar os custos.

Entre os planos futuros, a AGCO estuda a implantação de um projeto "greenfield" para produção de componentes agrícolas na China. A AGCO tem um banco próprio com foco no mercado agrícola, com US$ 600 milhões em caixa, e o endividamento próximo do nível zero. "Temos joint venture com empresas de primeira linha.

Etanol

Enquanto o mercado brasileiro trabalha com uma mistura de 3% de biodiesel ao diesel, chamado B3, a AGCO Corporation investe no desenvolvimento de máquinas e motores que poderão usar com 5% a 100% do combustível alternativo. "Nossas pesquisas estão em estágio avançado", disse Richenhagen. Ele afirmou que a companhia já tem protótipos destas máquinas sendo testadas no campo, mas evitou dizer quando os produtos estarão no circuito comercial.

Além destas pesquisas, a companhia também firmou parceria com a MWM International, subsidiária da norte-americana Navistar International um dos principais fabricantes de motores diesel do mundo, para desenvolver motores de caminhões que recebam uma mistura de 60% de etanol e 40% de diesel.

Os executivos do grupo reforçaram inúmeras vezes durante a apresentação dos resultados, feita hoje em São Paulo, que o setor de biocombustível apresenta grandes oportunidades para a indústria de máquinas agrícolas, por conta do esperado aumento da produção nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil.

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