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A reunião anual do conselho de diretores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) começa hoje em Cancún, em meio a uma onda de críticas ao presidente da instituição, Luís Alberto Moreno, e sob o risco de não se aprovar uma recapitalização adequada para o banco. Um painel de consultores externos determinou que o BID precisa levantar US$ 178 bilhões entre os sócios para garantir que o nível de empréstimos à região não irá cair.

Moreno espera obter entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões dos países integrantes, mas nem isso está garantido.

"Essa recapitalização pode determinar se Moreno será eleito para mais um mandato", disse ao Estado Riordan Roett, diretor do programa de América Latina da Johns Hopkins University. "Se os países não se comprometerem com somas significativas, esse será um sinal de falta de confiança em Moreno."
O mandato de cinco anos de Moreno no BID acaba em outubro deste ano. Mas sua candidatura não tem grande apoio do Brasil e dos EUA. Há insatisfação com seu desempenho à frente do BID, que registrou perdas em 2008 e é considerado muito menos eficiente do que seu correspondente, a Corporação Andina de Fomento (CAF).

No mês passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou abertamente o desempenho de Moreno. "O BID não tem tido um desempenho satisfatório para a região; não tem cumprido seu papel para os países da América Latina", disse Mantega.

O Brasil considera a ideia de ter um brasileiro liderando o banco. O País ficou de escanteio em 2005, quando João Sayad foi derrotado por Moreno. Na época, dizia-se que o Itamaraty e o governo brasileiro haviam abandonado a candidatura de Sayad, que perdeu para Moreno, apoiado pelos Estados Unidos.

"Dentro e fora do banco, há muita insatisfação com o desempenho de Moreno", disse ao Estado Claudio Loser, pesquisador do Diálogo Interamericano e ex-diretor do departamento de Hemisfério Ocidental do FMI. "A crítica é que o BID perdeu seu dinamismo e não está conseguindo cumprir sua função; comparado a outras instituições, como a Corporação Andina de Fomento, seria pouco eficiente."
Em 2008, o banco teve prejuízo de US$ 1 bilhão, a primeira vez na história que a instituição teve uma perda, por causa de investimentos malsucedidos em títulos lastreados em hipotecas.

Ele também teria se desentendido com o vice-presidente executivo do banco, o americano Daniel Zelikow. Além de ser o segundo na hierarquia do BID, Zelikow é um dos melhores amigos do secretário do Tesouro, Tim Geithner. Em contrapartida, Moreno tem apoio da secretária de Estado, Hillary Clinton.

Em entrevista à Bloomberg, Moreno afirmou que o valor de US$ 50 a US$ 100 bilhões reflete "o ambiente internacional difícil para todas as instituições financeiras levantarem recursos".

Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Policy e influente analista da América Latina, acha que Moreno tem os votos necessários para a reeleição. "Uma boa amostra disso é que não há outros candidatos viáveis se apresentando", disse Naím. Para ele, a maior dificuldade em levantar recursos é um problema que afeta todas as instituições multilaterais, "por causa da situação econômica mundial".

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