SÃO PAULO - Até então em alta, buscando uma correção depois de despencar 3,43% na jornada de ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reagiu rapidamente a um novo corte de nota de um país europeu, desta vez a Espanha, e perdeu a linha dos 66 mil pontos. Por volta das 13 horas, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cedia 0,82%, aos 65.966 pontos, com giro financeiro de R$ 3,306 bilhões.

SÃO PAULO - Até então em alta, buscando uma correção depois de despencar 3,43% na jornada de ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reagiu rapidamente a um novo corte de nota de um país europeu, desta vez a Espanha, e perdeu a linha dos 66 mil pontos. Por volta das 13 horas, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cedia 0,82%, aos 65.966 pontos, com giro financeiro de R$ 3,306 bilhões. Em Wall Street, o mercado mostra maior resistência à aversão ao risco. Há pouco, enquanto o índice Dow Jones subia 0,16% e o S & P 500 avançava 0,28% e o Nasdaq recuava 0,29%. Na Europa, as principais bolsas registravam queda. Um dia depois de rebaixar a nota soberana de Portugal e Grécia, a agência de classificação de risco Standard and Poor´s (S & P) resolveu fazer o mesmo com relação à nota da Espanha. Desta forma, o rating de longo prazo do país passou de AA+ para AA. A perspectiva é negativa, o que implica a possibilidade de nova revisão para baixo. A nota de crédito soberana de curto prazo foi mantida em A-1+. A S & P explicou que sua ação reflete uma reavaliação das projeções macroeconômicas no médio prazo, notando que a atividade econômica espanhola pode passar por um período de maior apatia do que o previsto inicialmente. "O efeito em cascata que temos verificado ontem e hoje, com esse novo rebaixamento, aumenta a aversão a risco no curto prazo. Os países emergentes estão sofrendo e a bolsa repercutindo mal a notícia, com medo do que esperar de outros países europeus", afirmou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. A expectativa de um socorro financeiro à Grécia continua nos mercados, mas a Alemanha se mostra resistente à ideia. A porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha, Jeanette Schwamberger, afirmou hoje, antes do corte da Espanha, que a legislação para liberar a contribuição alemã de 8,4 bilhões de euros (US$ 11 bilhões) pode passar pelas duas casas do parlamento dentro de uma semana. A Alemanha pode ser o principal contribuinte para o pacote de resgate de 45 bilhões de euros desenhado para a Grécia e que será financiado por países europeus e pelo FMI. "O governo alemão não tem se mostrado muito propício a efetuar de forma mais rápida esta ajuda à Grécia. Há muita resistência interna, então o socorro ainda pode demorar mais tempo", ressaltou o analista da Leme Investimentos. Até ter sido divulgado o novo rebaixamento da S & P, a Bovespa, que havia registrado volatilidade no início dos negócios, operava no azul, refletindo, segundo o sócio da M2 Investimentos, Bruno Lembi, uma correção natural da última jornada e novos balanços americanos. O mercado ainda segue na expectativa das decisões, e dos comunicados divulgados após os encontros, de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. No ambiente doméstico, as blue chips operavam no vermelho. Há pouco, as ações PN da Petrobras cediam 0,31%, a R$ 32, enquanto os papéis PNA da Vale perdiam 1,35%, a R$ 45,95. Ainda no mercado brasileiro, o fluxo estrangeiro na Bovespa está negativo em R$ 130,6 milhões no acumulado do mês, até o dia 26, resultado de compras no valor de R$ 30,892 bilhões e de vendas de R$ 31,023 bilhões. Apenas na segunda-feira, quando o Ibovespa diminuiu 0,92%, o estrangeiro reduziu posição na bolsa pelo quarto dia, ao retirar R$ 60,2 milhões do mercado. No ano, o resultado da atuação do investidor internacional na bolsa brasileira está negativo em R$ 335 milhões. (Beatriz Cutait | Valor)

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