SÃO PAULO - Depois de mais de três semanas consecutivas de baixa, os contratos de juros futuros ajustaram para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, os agentes aproveitam para realizar lucros enquanto aguardam a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será apresentada na quinta-feira.

Com o documento, os agentes devem fechar as apostas quanto à redução da Selic.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava alta de 0,04 ponto percentual, para 12,82%. O contrato para janeiro 2011 também fechou com ganho de 0,04 ponto, a 13,42%, e janeiro 2012 apontava 13,68%, valorização de 0,10 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009, o mais negociado hoje, aumentou 0,01 ponto, para 13,52%. Contrastando, o DI para julho de 2009 caiu 0,02 ponto, projetando 13,02%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 396.565 contratos, equivalentes a R$ 36,80 bilhões (US$ 15,53 bilhões), o dobro do registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2009 foi o mais negociado, com 202.770 contratos, equivalentes a R$ 20,16 bilhões (US$ 8,215 bilhões).

Ainda de acordo com Rosa, parte da cautela dos investidores também pode ser atribuída à reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, que ainda hoje apresenta sua decisão sobre as taxas de juros no país. "A decisão pode mudar o humor do mercado e a aversão ao risco, o que tem impacto nos vencimentos mais longos."
Para Rosa, os dados sobre o mercado interno divulgados hoje, como as vendas varejistas acima do esperado, não têm influência sobre a curva ou mudam o consenso quanto à possibilidade de redução na taxa básica brasileira já em janeiro de 2009.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no comércio recuaram 0,3% em outubro, contra previsão de queda de 0,6%.

Pelo lado da inflação, o economista aponta que o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), divulgado hoje, mostra como a retração dos preços internacionais atenua a pressão oriunda do câmbio. O indicador apontou alta de 0,03% em dezembro, após elevação de 0,73% um mês antes.

Ainda de acordo com o especialista, o impacto da crise externa na economia brasileira deve ser mesmo mais severo. E isso vai atenuar o aumento de preços ocasionado por demanda aquecida. Fora isso, pelo lado do câmbio, o cenário deflacionário global vai deprimir o valor de alguns produtos também no Brasil. "Há espaço para o Banco Central começar a flexibilizar a taxa de juros."
(Eduardo Campos | Valor Online)

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