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O real foi a moeda que apresentou a maior desvalorização ante o dólar entre as divisas dos sete países que possuem as mais importantes bolsas de valores da América Latina. De acordo com um estudo realizado pela Economática, a moeda nacional apresentou uma depreciação de 35,24% do início do ano até ontem, pois a cotação do dólar à vista para venda variou de R$ 1,7713 a R$ 2,3956.

Tal desvalorização foi provocada basicamente pelos efeitos da crise financeira internacional sobre o Brasil.

O movimento de queda do real ante o dólar registrado neste ano, contudo, ficou abaixo do enfraquecimento de 52,27% da moeda nacional perante a norte-americana ocorrida em 2002. Naquele ano, a forte depreciação foi causada pelos temores dos investidores com a política econômica que poderia ser adotada pelo então candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, caso fosse escolhido nas urnas como o sucessor do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

"A desvalorização registrada em 2008 foi exclusivamente causada por fatores externos, relacionados à crise financeira internacional", destacou à Agência Estado o gerente de relacionamento institucional da Economática, Einar Rivero. No caso da depreciação mais expressiva de 2002, ele ressaltou que o mercado de câmbio variou de R$ 2,3204 a R$ 3,5333, sem a influência de fatores externos, mas sim por fatores internos, como a possível descontinuidade do tripé que apoiava a política econômica no segundo mandato do governo de FHC: câmbio flutuante, regime de metas de inflação e austeridade fiscal.

Apesar da forte desvalorização da moeda nacional perante a norte-americana registrada em 2002 e 2008, o real registra uma apreciação de 47,49% do final de dezembro de 2002 até o dia 29 deste mês, pois ocorreu uma variação da cotação de venda do dólar à vista de R$ 3,5333 para R$ 2,3956. Esta foi a maior valorização para o período entre as divisas de sete países da América Latina com os mercados de capitais mais desenvolvidos. Seguido ao real, vem o peso colombiano, com um avanço de 28,24%. O peso chileno registrou no período um fortalecimento de 14,68% sobre o dólar no período, enquanto o novo sol do Peru apresentou uma elevação de 13,55% sobre a divisa dos EUA.