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Real forte e custos em alta derrubam lucro da Aracruz

Por Alberto Alerigi Jr. SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Aracruz, registrou queda em seus resultados do segundo trimestre, apesar de dois reajustes de preços de seus produtos no período e demanda em alta.

Reuters |

Os resultados da empresa, que exporta quase a totalidade de sua produção, foram impactados por aumento de custos de produção e também pela valorização de real no período contra o dólar, o que acabou anulando o reajuste dos preços efetivados no trimestre.

De acordo com comunicado da empresa, o custo caixa de produção ficou 10 por cento acima do verificado no trimestre anterior, efeito do aumento dos custos com madeira, matérias-primas (principalmente energéticos e químicos) e um problema no turbogerador da Veracel, fábrica da empresa na Bahia operada em conjunto com a Stora Enso .

A valorização média do real contra o dólar no trimestre, de 5 por cento segundo a empresa, 'anulou o maior preço da celulose em dólar e o maior volume de vendas'.

O lucro líquido da Aracruz nos três meses encerrados em junho caiu 18 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, para 262,1 milhões de reais. Mas em comparação com o primeiro trimestre, acabou subindo 56 por cento, impulsionado por ganhos financeiros com operações cambiais e também sobre a dívida em dólar da companhia.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 354,4 milhões de reais, recuo de 18 por cento sobre o segundo trimestre de 2007 e de 3 por cento sobre os primeiros três meses de 2008.

A margem Ebitda caiu 4 pontos percentuais na comparação com um ano antes, para 40 por cento.

O resultado da Aracruz em dólares, de acordo com normas norte-americanas (US GAAP), apontou lucro líquido no trimestre de 71,3 milhões de dólares, queda de 42 por cento sobre o segundo trimestre de 2007. O Ebitda foi de 225 milhões de dólares, com margem de 42 por cento.

Analistas consultados pela Reuters previam, em média, lucro líquido 95 milhões de dólares e Ebitda de 224,5 milhões, considerando as normas norte-americanas.

OPERAÇÃO

A empresa encerrou o trimestre com produção de 788 mil toneladas de celulose, alta de 3 por cento sobre o segundo trimestre de 2007 e queda de 1 por cento sobre os primeiros três meses do ano.

Já as vendas da matéria-prima do papel somaram 773 mil toneladas, queda 7 por cento ante o vendido um ano antes e alta de 6 por cento frente ao primeiro trimestre.

A Aracruz tem meta de atender 25 por cento da demanda global por celulose de fibra curta até 2015, equivalente a 7 milhões de toneladas anuais. Por conta disso, a empresa deve anunciar no terceiro trimestre um projeto de expansão, de 1,4 milhão de toneladas, depois de ampliar as operações da Veracel, juntamente com a Stora Enso, e de aumentar sua unidade em Guaíba, no Rio Grande do Sul.

A companhia informou que nos primeiros cinco meses do ano, a demanda por celulose de eucalipto subiu 22 por cento em relação ao mesmo período de 2007, puxada por expansão de 66 por cento ocorrida na China. O país, em 12 meses até maio, importou um recorde de 7,3 milhões de toneladas de celulose do mercado, segundo a Aracruz.

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