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Real é uma das moedas que mais se valorizaram, diz ONU

Mesmo com a decisão do governo de taxar o capital estrangeiro para evitar a valorização do real, a moeda brasileira foi uma das que mais se valorizou em relação ao dólar nos últimos dois anos no mundo. A avaliação é da Organização das Nações Unidas (ONU) que, neste fim de semana, publicou amplo documento sobre o impacto da crise na economia mundial.

AE |

Mesmo com a decisão do governo de taxar o capital estrangeiro para evitar a valorização do real, a moeda brasileira foi uma das que mais se valorizou em relação ao dólar nos últimos dois anos no mundo. A avaliação é da Organização das Nações Unidas (ONU) que, neste fim de semana, publicou amplo documento sobre o impacto da crise na economia mundial. Segundo a avaliação, o real foi a sétima moeda que mais se valorizou entre janeiro de 2008 e janeiro de 2010, com uma alta de quase 5%. A entrada de investimentos no Brasil elevou a preocupação do governo sobre uma valorização da moeda e Brasília decidiu taxar o capital estrangeiro. Na sexta-feira, o Banco Central fez dois leilões de compra de dólar no mercado à vista, mas ainda assim a moeda americana fechou em queda de 1,09% a R$ 1,732. O governo também sabe que, uma vez superada a instabilidade internacional, a tendência de valorização do real ganhará força, afetando a competitividade dos exportadores nacionais. A moeda que teve a maior valorização foi o iene japonês, com uma alta de quase 30%. O franco suíço, tradicionalmente uma moeda de refúgio, foi a segunda. Ontem, o Banco Central suíço admitiu que já gastou mais de US$ 37 bilhões nos últimos quatro meses para manter o valor do franco perante o dólar. "Qualquer ameaça à estabilidade da moeda teria um impacto negativo", alertou o presidente do BC suíço, Philipp Hildebrand. A China, apesar de todas as críticas americanas, foi a terceira moeda que mais se valorizou diante do dólar. O Congresso americano e exportadores se queixam de que Pequim mantém sua moeda artificialmente desvalorizada para garantir um bom desempenho nas exportações e evitar uma avalanche de importações. Pelos dados da ONU, a constatação é de que, apesar de uma volatilidade pequena nos últimos dois anos, a tendência do yuan é mesmo de uma valorização progressiva. A apreciação chegaria a 7%. O Brasil vem na sétima posição. Mas a volatilidade do real foi uma das mais elevadas do mundo. Na fase mais aguda da crise, ainda em 2008, o real teria perdido 25% de seu valor em relação ao dólar. Entre março e dezembro de 2009, a valorização superou a marca de 33%, a terceira mais alta do mundo. Apenas a moeda australiana e neozelandesa tiveram uma valorização mais profunda que o real nesses meses, segundo o levantamento. Entre maio e outubro de 2009, por exemplo, a cotação do dólar caiu de R$ 2,23 para R$ 1,71 com a grande entrada de recursos externos. Já entre as moedas que mais se desvalorizaram está a da Islândia, com quase 50% em dois anos. A crise no país e o caos no setor bancário foram os motivos do abalo na moeda local. As moedas da Ucrânia e Turquia também perderam mais de 30% de seu valor desde janeiro de 2008. Segundo o documento da ONU, o impacto dessas desvalorizações não foi apenas econômico. Atritos regionais foram registrados nos últimos dois anos, já que a desvalorização de uma moeda tem a consequência equivalente a um pacote de subsídios dados ao setor exportador ou a criação de barreiras aos importadores. Outro temor é de que países tentaram "suavizar o impacto da crise recorrendo à desvalorização competitiva". Mas o levantamento constata que essa "desvalorização competitiva" não prevaleceu por muito tempo. "Na segunda metade de 2009, o valor das moedas se recuperou", afirma o levantamento. Mesmo assim, a ONU defende a criação de mecanismos de consultas entre governos para garantir uma maior estabilidade entre as moedas. Isso, segundo a entidade, evitaria guerras comerciais e atritos políticos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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