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Variação do INCC atingiu 1,77% em junho, enquanto a projeção do mercado é que o IPCA suba 0,14% neste mês

A disparada dos preços da construção civil vai pesar no bolso de quem comprou imóvel na planta. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), indicador que reajusta as parcelas de apartamentos em construção, traz variações maiores do que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em junho, o I NCC subiu 1,77% , enquanto a projeção do mercado financeiro, no último boletim Focus, é que a variação da inflação seja de 0,14%.

A escalada do INCC

Veja a evolução dos índices de variação de preços; IPCA de junho é projeção do boletim Focus

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Ibre/FGV e IBGE

Nos plantões de vendas de lançamentos imobiliários, os corretores informam aos consumidores que eles não pagarão juros durante a obra e nem a inflação, apenas as variações dos preços da construção civil. Entre agosto do ano passado e março deste ano, o INCC variou menos que a inflação e, portanto, as parcelas de apartamentos novos sofreram um reajuste inferior à variação dos preços da economia brasileira.

A partir de abril, o cenário mudou e os preços da construção civil dispararam. A mão de obra foi o componente com maior elevação de custos no INCC, que subiu 2,59% neste mês. Além da disputa por profissionais, parte da alta se deve à data base dos trabalhadores do setor em São Paulo e em Brasília, afirma a coordenadora de Projetos da Construção da FGV-SP, Ana Maria Castelo. “O mercado aquecido é um ambiente mais propício a negociações de salários”, diz.

A expectativa dela é que o índice continue a subir nos próximos meses, mas em ritmo menor. O descolamento com a inflação reflete, em parte, a alta da Selic (taxa básica de juros), que impacta mais fortemente no IPCA. “O reflexo do juro básico é mais lento nos preços da construção civil. A elevação da Selic não influencia as obras em andamento, só as decisões futuras de investimento”, afirma Castelo.

O uso do INCC para reajuste de preços de imóveis novos nos contratos com as construtoras é correto porque representa apenas os custos da construção civil, afirma a advogada Emanuela Veneri, sócia-diretora da consultoria de direito imobiliário Arbimóvel. Segundo ela, os compradores devem ficar atentos com as cláusulas do contrato. “O que não é correto é informar um ou outro índice para o ajuste das parcelas. Assim, a construtora pode escolher o que subiu mais.”

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