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Os índices de reajuste devem variar de acordo com a região em que a escola está situada e o perfil de alunos que ela atende

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A mensalidade das escolas particulares para 2011 deve subir mais do que inflação do ano que até agora está acumulada em 4,6% nos últimos doze meses, segundo o IPC-A medido pelo IBGE. A previsão é do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp).

O índice do reajuste será influenciado pelo aumento salarial de cerca de 7% dado aos professores e funcionários e pelas altas taxas de inadimplência, explica o presidente do Sindicato, José Augusto de Mattos Lourenço. Em julho, o porcentual de alunos que não pagaram as mensalidades subiu para 10,65%, o mais elevado desde o início do ano.

A inadimplência é monitorada mês a mês pela entidade sindical. Em julho de 2009, era de 10,49%. "É normal o índice subir no mês das férias escolares, pois os pais viajam e se esquecem de pagar a escola. Mas a média registrada em 2010, de 8,5%, é muito elevada", avalia Lourenço. Já o aumento do salário dos funcionários acima da inflação é resultado de um acordo firmado com os sindicatos que representam a categoria. "Além de repor o índice inflacionário medido pelos principais indicadores, estamos dando 1,2% de aumento real", informa o presidente do Sieeesp.

Outro fator de elevação da anuidade, de acordo com Lourenço, é causado pela necessidade de inovação tecnológica. "Os laboratórios, sobretudo de informática, estão cada vez mais sofisticados e precisam de atualização constante, o que onera o setor." As escolas já começam a elaborar a planilha de custos para fixar as anuidades de 2011 e, segundo Lourenço, esses índices têm peso importante na despesa da instituição de ensino.

O assunto foi discutido durante reunião com mantenedores, ontem, em Sorocaba. Os índices de reajuste devem variar de acordo com a região em que a escola está situada e o perfil de alunos que ela atende. Isso porque a inadimplência também difere de cidade para cidade. Em São Paulo, por exemplo, a média registrada em julho foi de 10,42% inferior ao índice estadual. As escolas que mais sofreram com a inadimplência no mês foram as de São José dos Campos, onde o índice chegou a 17,72%. "Isso ainda é reflexo das demissões que a Embraer efetuou na região", justifica Lourenço.

Para ele, a inadimplência no ensino particular é superior a dos demais setores por conta da lei que impede as escolas de expulsarem os maus pagadores. As instituições podem apenas recusar nova matrícula ao fim do ano letivo e recorrer à Justiça para receber o dinheiro. "Eu entendo que os alunos precisem de proteção. Mas o problema é que essa lei pune os bons pagadores, que veem a mensalidade subir por conta da inadimplência alheia. "

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