SÃO PAULO - Apesar da volatilidade registrada ao longo da tarde, em meio à direção oposta marcada pelas blue chips, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu manter-se no campo positivo pelo segundo dia. O Ibovespa subiu 0,50%, aos 69.

386 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 5,896 bilhões.

No mercado externo, as bolsas europeias e americanas também mostraram avanço no pregão desta terça-feira. Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou com alta de 0,95%, enquanto o S & P 500 subiu 0,72% e o Nasdaq ganhou 0,83%.

Embora também tenha oscilado ao longo do dia, prevaleceu sobre o cenário americano uma recepção favorável dos investidores ao indicador relativo ao mercado imobiliário do país.

De acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA (NAR, na sigla em inglês), a revenda de casas nos Estados Unidos caiu 0,6% em fevereiro, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 5,02 milhões de unidades. Um mês antes, a leitura obtida havia sido de 5,05 milhões de moradias. O resultado foi melhor que o esperado.

Na Europa, ainda contribuiu para o bom humor dos agentes notícias indicando que Alemanha e França teriam concordado com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Grécia.

No front doméstico, o reajuste do preço do minério de ferro pela Vale, conforme revelado por matéria do Valor, foi o destaque do dia.

A reportagem revelou que a empresa enviou, este mês, documento aos clientes do mundo inteiro comunicando a adoção de um novo sistema de preços, o IODEX (IronOre Index) em alternativa ao " benchmark " , acompanhado de uma nova tabela de preços do minério de ferro a vigorar no segundo trimestre do ano.

O preço do minério do tipo minério fino (sinter feed) de Carajás, de maior teor de ferro, sobe para US$ 122,20 a tonelada FOB (entregue em portos da Vale), correspondendo a um aumento de 114,38% acima do preço de referência de US$ 57 vigente no ano passado.

A notícia foi favorável para grandes empresas do setor, que lideraram os ganhos do Ibovespa. Os papéis ON da MMX subiram 5,56%, a R$ 13,85; as ações ON da CSN avançaram 4,28%, a R$ 68,95, com giro de R$ 184,6 milhões; Vale ON teve alta de 3,54%, a R$ 55,8; LLX ON se apreciou em 3,38%, a R$ 8,54; e Vale PNA, que movimentou R$ 1,079 bilhão, ganhou 2,59%, a R$ 48,55.

"Os papéis de siderurgia e mineração puxaram a bolsa. O reajuste da Vale mostra uma negociação impressionante, em primeiro lugar porque as siderúrgicas não aceitariam nem 80% de alta e, ao conseguir esse reajuste, a Vale indica sua força de mercado. Além disso, para as siderúrgicas aceitarem um reajuste deste tamanho, é porque há demanda na outra ponta para vender o aço acabado, então todo setor está aquecido", comentou o economista do Banco ABC Brasil, Felipe França.

A força dos papéis da Vale foi bem expressiva, quando se leva em consideração a baixa de 1,15% dos papéis PN da Petrobras, a R$ 35,82, com volume movimentado de R$ 618,8 milhões.

Além disso, o desempenho dos papéis do setor bancário, de construção e de telecomunicação também impediu que a valorização do Ibovespa fosse maior.

Entre as maiores quedas do índice, figuraram as ações ON da Rossi Residencial, com desvalorização de 3,3%, a R$ 13,73, enquanto os papéis ON da Redecard caíram 2,4%, a R$ 30,4.

Já os papéis PN e ON da Telemar recuaram 2,26% e 2,17%, respectivamente cotados a R$ 31,86 e a R$ 38,25.

(Beatriz Cutait | Valor)

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