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Raúl Castro ouve no Parlamento previsões pessimistas para economia cubana

Havana, 27 dez (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, lidera hoje a segunda e última sessão do Parlamento em 2008, no fechamento do ano em que assumiu oficialmente a Presidência do país e que termina com péssimas previsões para a economia da ilha.

EFE |

Vestido de camisa branca e sentado ao lado da poltrona vazia que o ex-presidente Fidel Castro costumava ocupar, Raúl Castro assistiu à apresentação dos balanços e previsões da economia cubana, fortemente afetada este ano pela passagem de três furacões pela ilha nos últimos meses.

Raúl Castro e a cúpula do Governo escutaram o relato do ministro da Economia, José Luis Rodríguez, que previu um crescimento de 6% para 2009, depois de terminar este ano com expansão de 4,3%.

Apesar de o número não chegar aos 8% previstos, no que é o segundo descumprimento consecutivo das metas da economia da ilha, Rodríguez qualificou o balanço deste ano de "discreto resultado positivo".

A previsão para o próximo ano foi feita com base em um "alto nível de incerteza" e levando em conta a maior complexidade da situação internacional, segundo explicou o também vice-presidente do Conselho de Ministros.

"Aproximam-se tempos de duros esforços e de combate sem descanso frente às dificuldades, começando por nossas próprias insuficiências e erros", disse Rodríguez.

Ele destacou que será preciso cortar gastos para adequá-los às receitas, e alertou para o adiamento de "investimentos e outras despesas não imprescindíveis".

Além disso, Rodríguez disse que farão falta recursos adicionais para satisfazer às "necessidades de importação e ao pagamento dos compromissos financeiros internacionais", algo que representa já 8% do Produto Interno Bruto (PIB) cubano.

Ao calcular as perdas pelos furacões em US$ 9,722 bilhões - segundo Rodríguez, equivalente a 20% do PIB - e 530.758 casas afetadas total ou parcialmente, o ministro afirmou que "constitui uma necessidade inescapável" fortalecer a disciplina financeira e planejar conforme os recursos disponíveis.

Além disso, ressaltou a necessidade de resolver os problemas da moeda dupla e da gestão no aparelho do Estado.

O discurso de Rodríguez foi seguido do anúncio da ministra de Finanças e Preços, Georgina Barreiro, de que no próximo ano o déficit fiscal chegará a 5,6% do PIB, 1,1 ponto abaixo do registrado em 2008.

No entanto, Barreiro ressaltou a necessidade de propor "modificações à política tributária existente para aplicar um sistema de impostos e contribuições adequado às condições atuais da economia".

Além disso, afirmou que há "gratuidades indevidas e altamente subsidiadas" que estão "acima das possibilidades econômicas do país".

A última sessão do ano, que se desenvolve com a presença de 522 dos 614 deputados da Assembléia Nacional, continuará ao longo do dia, após quatro jornadas de trabalhos em comissões.

O ponto mais importante da agenda dos legisladores é a aprovação da reforma da lei de previdência social, apresentada por Raúl Castro em julho e que, como principal novidade, contempla o aumento em cinco anos da idade mínima de aposentadoria.

O general impulsionou este ano medidas como a eliminação de algumas restrições ao consumo, uma incipiente reforma agrícola e a supressão do "igualitarismo" salarial para incentivar o trabalho, através de uma reestruturação trabalhista que deve entrar em vigor em janeiro de 2009.

Além disso, nos últimos meses fez várias mudanças em seu gabinete de ministros que, no entanto, não foram acompanhadas de alterações estruturais na Administração.

Para isso seria necessário tempo, disse Castro, a fim de "estudar com profundidade (...) a atual estrutura e funções dos organismos da Administração Central do Estado".

Com exceção de surpresas de última hora, essas mudanças também não ocorrerão nesta sessão, que pontua um ano marcado pela saída de Fidel Castro da Presidência do país, após dirigir a ilha durante quase meio século. EFE arj/db

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