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Rapidez dos efeitos da crise na indústria surpreende a CNI

BRASÍLIA - A rapidez dos efeitos da crise financeira global no setor produtivo brasileiro surpreendeu a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que só aguardava os primeiros impactos de desaceleração no primeiro trimestre de 2009. Os indicadores de outubro, entretanto, mostraram recuo, com indicações de piora para os dois últimos meses de 2008.

Valor Online |

"A inflexão na atividade industrial ficou clara em outubro, mostrando uma disseminação da crise de forma mais rápida do que esperávamos", comentou o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco.

Ele não quis arriscar números, mas aventa queda sensível no dinamismo econômico para o quarto trimestre do ano. Em duas semanas, a CNI divulgará revisão para baixo na expectativa para a variação real do Produto Interno Bruto (PIB) no ano, que era esperada em 5,3%, e indicará as primeiras projeções dos empresários para 2009.

Castelo Branco lembrou que pesquisa emergencial feita pela entidade há uma semana, para sondar sobre os principais impactos da crise, apontou a redução da demanda e consequente recuo nos planos de investimentos empresariais para 2009.

"O cenário mudou, num tempo muito rápido", disse o economista, lembrando que o bom desempenho até setembro garantiu dados robustos no acumulado do ano. De janeiro a outubro, por exemplo, as vendas reais acumularam crescimento de 8% sobre período igual anterior, as horas trabalhadas (produção) aumentaram 6%, o emprego subiu 4,3% e a massa salarial teve expansão de 5,2%.

Já em outubro sobre setembro, os dados com ajustes sazonais apontaram queda de 0,2% nas vendas e de 0,3% na produção, com óbvia sequência de queda no uso da capacidade instalada, que recuou 0,5 ponto percentual, além de diminuição de 0,6% nos rendimentos (índice original).

Apenas o emprego cresceu 0,1%, ou seja, com estabilidade, por ser o indicador impactado com defasagem mais elástica em mudança de cenários.

Mesmo assim, Castelo Branco lembra que a queda na demanda já sentida no mercado internacional, e mais recentemente também no consumo doméstico - o levou aos recentes anúncios de demissões -, indica que o mais prolongado ciclo de expansão desse indicador se aproxima do fim. Até outubro, foram registrados 31 meses consecutivos de taxas positivas na ocupação industrial.

O economista aponta que o desaquecimento em outubro resultou de dois fatores principais. O primeiro foi o aperto no crédito internacional atingindo duramente o setor exportador, e propagando-se ao crédito interno. Além de mais caro, o dinheiro ficou escasso para as empresas. O outro fator foi a redução na demanda internacional pelas commodities industriais (minérios, produtos siderúrgicos, papel e celulose).

Com um cenário de desaceleração global à frente, para Castelo Branco "seria razoável" o Banco Central pensar em afrouxar a política monetária "já no início do ano que vem". Segundo ele, uma redução na taxa de juros "pode ser coerente com a política de maior liquidez" que vem sendo adotada pela autoridade monetária, de forma a cortar os custos dos empréstimos bancários.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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