A venda de medicamentos genéricos, que tomou impulso no início da década, fez os brasileiros economizarem cerca de R$ 8,8 bilhões de junho de 2001 a junho de 2008. Esse valor refere-se à diferença de preços entre os genéricos vendidos no período e os remédios de referência, que trazem marcas famosas.

Apenas no primeiro semestre deste ano, a economia para o bolso do consumidor chegou a R$ 1,25 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos).

De janeiro a julho, a venda de genéricos chegou a 128,3 milhões de unidades (veja gráfico ao lado). A aceitação do produto está ligada, principalmente, aos preços mais baixos. Medicamentos como o Zocor, utilizado para o controle do colesterol, chegam a ser vendidos por R$ 38,71 em sua versão de dez miligramas com dez comprimidos. A opção genérica - oferecida por vários laboratórios - sai por R$ 20,86 (confira a tabela ao lado).

"O fator básico do genérico é igual ao do medicamento de referência, mas ele chega a custar a metade do preço", afirma Odnir Finotti, vice-presidente da Pró Genéricos. O economista Marcos Crivelaro, da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), afirma que os preços mais baixos atraem o consumidor. "As pessoas que compram remédios regularmente têm o hábito de comparar os valores. E elas escolhem os mais baratos", diz.

A aposentada Marli Brochado, de 61 anos, está nesse grupo. Para controlar o colesterol, ela precisa utilizar a sinvastatina - princípio ativo encontrado em vários genéricos, em alguns similares e no medicamento original Zocor. "Compro o que estiver mais barato", afirma Marli. "E os genéricos fazem o mesmo efeito dos remédios com marca", garante.

A enfermeira Camila Luciani, de 29 anos, também escolhe os genéricos por conta dos preços. "Costumo comprar analgésicos e antibióticos genéricos, porque eles são mais baratos. E os resultados são os mesmos", afirma.

Outro fator que favorece a venda de genéricos é a expansão da renda. Finotti afirma que, nos últimos anos, as classes mais baixas passaram adquirir mais remédios. "Como são mais baratos, os genéricos se tornam a porta de entrada para essas famílias", afirma.

A classe média, segundo Finotti, também estaria comprando mais remédios. "Com os genéricos, as pessoas que tinham o costume de tomar apenas metade dos comprimidos indicados pelo médico agora estão cumprindo toda a receita."

Mais opções

Finotti destaca ainda o fato de cada vez mais genéricos estarem disponíveis no mercado para o consumidor final.

"Recentemente, medicamentos como a sibutramina, utilizado para emagrecer, e o clopidogrel, usado no tratamento de enfarte, passaram a ser vendidos como genéricos. Isso também ocorreu com os contraceptivos."

Crivelaro lembra que a melhor forma de economizar é comparar os preços de todas as opções disponíveis. Geralmente, os genéricos são mais baratos, mas podem existir casos em que o medicamento de referência está mais acessível. Além disso, um mesmo genérico pode ser fabricado por vários laboratórios, o que também gera diferenças de preços. "Quando o consumidor for ao médico, ele deve pedir a indicação, na receita, das opções disponíveis. Com isso, ele poderá pesquisar os preços com segurança", diz o economista.

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