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Vou continuar teimando diz presidente sobre Doha

Em visita oficial à Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na segunda-feira, diante de uma platéia de cerca de mil empresários brasileiros e argentinos, que insistirá na retomada das negociações da Rodada Doha. As discussões sobre o novo acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) chegaram a um ponto de colapso na semana passada, em Genebra.

Agência Estado |

Lula, entretanto, não conseguiu extrair da presidente argentina, Cristina Kirchner, nenhum sinal de abrandamento das divergências entre os dois países sobre a abertura do mercado industrial a ser oferecido nas negociações comerciais de Doha e do Mercosul.

"Eu não estou desanimado. Quero dizer a vocês que ainda vou continuar teimando para ver se construímos uma saída (para a Rodada Doha)", disse Lula, a apenas três dias de sua tentativa de sensibilizar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre a necessidade de retomar as negociações multilaterais de comércio.

"Se nós não concluirmos o acordo de Doha, pode ser que o Brasil e a Argentina não sofram tanto. Mas os países mais pobres, que têm de ser incentivados a produzir alimentos e, para isso, precisam ter o mercado aberto dos países ricos, não irão produzir alimentos e continuarão a passar fome. E no mundo rico, haverá legislação mais dura para proibir o trânsito das pessoas mais pobres, criando mais dificuldades para a imigração", explicou, em seu improviso na abertura do Encontro Empresarial Brasil-Argentina.

Evidenciado nos momentos cruciais das negociações de Genebra, o impasse entre o Brasil e a Argentina sobre a oferta de abertura de mercado industrial não tende a ser um entrave apenas na hipótese de retomada das negociações da Rodada Doha. Essas divergências deverão minar as alternativas do Mercosul ao fracasso total da Rodada, ou seja, todas as discussões sobre acordos de livre comércio com países desenvolvidos, a começar com a União Européia.

"A frustração da Rodada Doha exige que multipliquemos, em outros tabuleiros (de negociações), nossos esforços para eliminar as distorções e barreiras ao comércio internacional", defendeu Lula. "A Argentina e o Brasil podem liderar a resposta do Mercosul e da América do Sul a esses desafios. Nossa aliança estratégica é a espinha dorsal desse projeto."

Da parte de Cristina Kirchner e sua equipe, não houve sensibilidade ao chamado. No domingo, pouco antes de receber Lula na Base Aérea de Buenos Aires, o chanceler argentino, Jorge Taiana, tentou dar um tom apaziguador à questão, ao afirmar que é preciso convergência de posições. Mas, ontem, os resultados foram nulos.

Em seu discurso no encontro empresarial, Cristina disse que, "distanciados de questões dogmáticas", os dois países têm de saber exatamente os valores em barganha nas negociações comerciais. A presidente referiu-se, indiretamente, ao acordo agrícola, considerado irrisório pelos negociadores argentinos, em relação aos cortes de subsídios pelos Estados Unidos e à abertura dos mercados europeu e asiático, para compensar a abertura do mercado industrial do Mercosul.

Na Rodada Doha, o Brasil ofereceu um corte de cerca de 60% nas tarifas de importação de bens industriais, como uma espécie de troca pelo acordo na área agrícola. Mas igualmente obteve o consentimento dos países mais desenvolvidos à preservação de uma margem de proteção à indústria do Mercosul. Ao salientar que essa exceção não seria suficiente, a Argentina abriu um flanco de divergência com o Brasil.

Enquanto esse impasse continua, empresários brasileiros deixavam claro ontem ao próprio presidente Lula e a seus colegas argentinos que a abertura de mercados se tornou elemento essencial para o aumento da competitividade dos setores produtivos do Mercosul. No café da manhã oferecido por Lula a 30 empresários brasileiros, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que a retomada das negociações de Doha já não é mais uma aposta e, para conquistar novos mercados, é preciso um "entendimento com os companheiros argentinos". "Eu não perderia tempo com a possibilidade de reabrir a Rodada Doha", afirmou, em total desalinho com a intenção do Planalto.

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