A decisão de retomar o programa nuclear faz parte de uma política do governo que usa usinas térmicas e nucleares como uma espécie de contrapartida - a acionar no período seco - à redução da produção das usinas hidrelétricas. Técnicos que atuam no Ministério de Minas e Energia e em outros órgãos do governo vêm definindo o sistema elétrico brasileiro como hidrotérmico.

Isso significa que, apesar de as hidrelétricas serem predominantes na matriz elétrica brasileira, o papel complementar das térmicas, assim como das usinas nucleares, será cada vez mais decisivo.

As usinas termoelétricas produzem energia a partir do calor. Esse calor pode ser obtido por meio de uma reação nuclear, como nas usinas de Angra dos Reis, ou por meio da queima de um combustível, como gás natural, biomassa, carvão ou óleo. O modelo adotado no Brasil prevê que as térmicas funcionam como uma "reserva" do sistema. Na prática, elas podem permanecer desligadas por algum tempo, mas são chamadas a gerar energia em momentos críticos.

Isso o que aconteceu no início do ano, quando, temendo o atraso das chuvas, o governo mandou ligar quase todas as térmicas para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

O ministro de Minas Energia, Edson Lobão, reforçou ontem o discurso do governo de aposta no aumento de geração de energia termonuclear para garantir o fornecimento de energia elétrica. "Vamos caminhar fortemente na direção das usinas nucleares. As obras de Angra 3 começam em 1º de setembro e daí por diante continuaremos o programa de modo tão célere quanto possível", disse, durante debate em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

Ele reconheceu que o Brasil ainda tem grande potencial a ser explorado em energia hidrelétrica, especialmente no Norte, que dispõe de um potencial de mais de 130 mil megawatts nos rios. Sublinhou, contudo, que dificuldades ambientais e mesmo sociais fazem com que o País não possa depender apenas da energia hidrelétrica. "Temos de tomar providências e precauções, ainda que estas digam respeito a usinas termoelétricas movidas a gás, óleo ou nucleares."

Lobão disse que as térmicas são "uma espécie de reserva estratégica" para momentos de necessidade. E lembrou que este ano as usinas ajudaram a poupar água dos reservatórios, garantindo a segurança do sistema de geração de energia.

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