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Swap para Brasil e México: um prêmio ou um salva-vidas?

A decisão do Fed de incluir Brasil e México em um mecanismo de swap para dar liquidez a seus mercados pode afastar certos temores, mas além de ser um prêmio a sua gestão macroeconômica, destaca as debilidades das duas grandes economias da região, opinaram analistas nesta quinta-feira.

AFP |

O mecanismo de "swap" de reais e pesos por dólares permite a Brasil e México dispor de até 30 bilhões de dólares para injetar em suas economias, sob a condição de recompra, até 30 de abril, dos valores em moeda local entregues ao Federal Reserve em troca de dólares.

O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, afirmou na véspera que a medida "representa a inclusão formal do Brasil entre as economias que são significativamente importantes no mundo. É um reconhecimento importante da qualidade da política econômica do país".

Apesar do otimismo de Meirelles, alguns especialistas têm outra opinião.

Segundo Steve Hanke, especialista em mercados emergentes do Cato Institute de Washingon e professor da Universidade Johns Hopkins, a decisão do Fed "nada tem a ver com a boa administração da economia (...) O que querem é evitar que haja mais explosões, no Brasil, México, Coréia do Sul e Cingapura".

"Estão tratando de evitar mais problemas, é uma questão defensiva e não um prêmio para ninguém", disse Hanke. Um colapso das moedas de Brasil e México, Cingapura ou Coréia do Sul "será mais um problema em Nova York e difícil de administrar".

Para Claudio Loser, economista do centro de estudos Diálogo Interamericano, de Washington, a decisão do Fed é uma "reação positiva, porque dá mais liquidez a certos países que administraram a situação razoavelmente até o momento (...), mas é apenas uma medida preventiva".

"O fato de que a taxa de câmbio, tanto no Brasil como no México, caiu cerca de 40%, indica que houve um choque e muito forte, e também é certo de que há fuga de capitais...", explicou Loser.

"Há uma debilidade muito maior do que a prevista anteriormente" neste países devido a sua forte vinculação com o mercado de capitais. Se podemos ver isto (o swap) como um prêmio ou não, é algo discutível".

Loser estimou que a decisão do Fed vai "ajudar muito" os dois países a estabilizar seus mercados cambiais, afetados por uma forte volatilidade nas últimas semanas como consequência da escassez de dólares.

Segundo Hanke, o swap "vai afastar o pânico do mercado", mas a medida não vai mudar os fundamentos" econômicos, que "seguem sendo fracos" no caso do México, com uma economia onde quase 30% da mão de obra é exportada para os Estados Unidos" por falta de trabalho no país.

Sobre o Brasil, "é preciso ser prudente, mas a perspectiva e muito negativa no próximo ano, ou ano e meio", opinou Hanke, destacando que as moedas "são o calcanhar de Aquiles destes países".

"Nunca foram boas e, provavelmente, nunca serão a longo prazo de maneira sustentável", disse Hanke sobre o real e o peso mexicano, considerando um "erro" que algumas empresas apostem nas moedas locais contra o dólar.

mr/LR

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