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Preços de commodities ficarão altos por muitos anos

No início de março, em meio à disparada dos preços do petróleo, um relatório do banco Goldman Sachs assustou ainda mais o mercado mundial. O texto previa que o barril poderia atingir US$ 200 entre setembro deste ano e março de 2010.

Agência Estado |

Na época, estava ao redor de US$ 120. De lá para cá, continuou subindo, até atingir o recorde de US$ 145,26 em 3 de julho. Ontem, fechou a US$ 136,05. Jeffrey Currie, diretor de Pesquisa em Commodities do banco, mantém a avaliação de que os preços demorarão a cair, pois o mundo está numa fase de investimentos, que só devem maturar em 8 ou 9 anos. Currie, que chega ao Brasil hoje para reuniões com clientes, não comentou as recentes descobertas de petróleo no País, pois envolvem a Petrobras e as normas do banco o impedem de falar sobre empresas. Ele concedeu ao Estado, por e-mail, essa entrevista.

Há uma divisão entre analistas. Alguns dizem que o consumo de países como a China continua crescendo e os preços das commodities tendem a subir mais. Outros acreditam que estamos chegando ao um fim de um ciclo e os preços vão desabar. O que o sr. Pensa?
A alta que observamos nos últimos anos tem natureza estrutural, uma vez que mais investimento no setor se tornou necessário para fazer frente ao aumento da demanda. É o que chamamos de "fase de investimentos", que já ocorreu antes, nas décadas de 1910, 1940, 1950 e 1970. Basicamente, ocorre todas as vezes em que a produção esgota toda a capacidade disponível das reservas do sistema. Acreditamos que os preços do petróleo permanecerão em níveis elevados até que uma nova capacidade de exploração de reservas seja construída para fazer frente ao crescimento futuro da demanda. Isso também impactou o mercado de alimentos, uma vez que a demanda por grãos para a produção de biocombustíveis - economicamente viáveis justamente por causa da alta do petróleo - explodiu. Como a produção agrícola não consegue ser rápida o suficiente para satisfazer o crescimento da demanda, os preços dos alimentos começaram a subir junto com o dos combustíveis.

Quando podemos esperar que essa fase de investimentos mature e tenha impacto sobre os preços?
Entramos na atual fase ao redor da virada da década e devemos ficar nela por mais oito ou nove anos. Fases de investimento, em geral, levam de 10 a 15 anos, mas, dados os constrangimentos que desaceleraram os investimentos, a capacidade excedente é muito limitada. Serão necessários muitos anos antes de a capacidade excedente ser elevada.

Qual o papel dos biocombustíveis nessa alta?
Os biocombustíveis ainda representam uma parcela muito pequena da base total de abastecimento energético, então não são os principais condutores dos preços do petróleo. Contudo, o aumento da produção de biocombustíveis tem sido um fator-chave para a alta dos preços das commodities agrícolas, na medida em que políticas para dar suporte ao uso doméstico desses combustíveis têm levado ao uso ineficiente dos recursos disponíveis. Esse tem sido particularmente o caso do milho e da soja, que são menos eficientes na produção de biocombustíveis do que o açúcar. É possível argumentar que o uso mais amplo do etanol feito com açúcar, que é mais eficiente, poderia ajudar a reduzir a pressão de alta sobre os preços agrícolas.

Qual será o impacto da desaceleração americana sobre o preço das commodities?
A maior parte da demanda atual no setor de petróleo vem dos países que não pertencem à OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Então, uma recessão nos Estados Unidos não deve provavelmente ter impacto significativo nos preços das commodities. Isso desde que a desaceleração nos Estados Unidos não se torne uma recessão global. Ainda que uma recessão americana se amplie para além da fronteira do país, um efeito nos preços das commodities dependeria dos segmentos que provocarão essa recessão.

Qual o papel da especulação na alta das commodities?
Como disse, oferta e demanda são os fundamentos que explicam a alta dos preços das commodities. Acreditamos que a pressão sobre os preços de energia e alimentos vem da incapacidade de o abastecimento crescer nas mesmas taxas da demanda. Uma vez que não se pode consumir o que não existe, os preços têm de subir para esfriar o crescimento da demanda e, assim, reequilibrar o mercado. Ainda que vejamos um impacto do crescimento das posições especulativas líquidas nos mercados de grãos e petróleo, estimamos que seja pequeno.

O petróleo chegará a US$ 200, como o Goldman Sachs previu?
Nossa projeção para o preço do barril no fim do ano é de US$ 149. Na média, estimamos US$ 148 por barril em 2009. Há riscos tanto do lado altista quanto do baixista. No médio prazo, esses riscos são inclinados para a alta.

Há decisões políticas que seriam capazes de diminuir as pressões sobre os preços da energia e dos alimentos? Concluir a Rodada Doha da OMC, por exemplo?
De forma geral, facilitar o investimento na capacidade produtiva de longo prazo, moderando as restrições políticas que impedem o livre fluxo de capitais, de trabalho e de tecnologia provavelmente diminui as pressões altistas nos preços das commodities no médio e longo prazos.

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