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Os jornais impressos têm vida longa

O 7º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), reúne hoje e amanhã em São Paulo executivos e profissionais para debater questões essenciais à atividade. o tema do evento é O Brasil e a indústria jornalística em 2020.

Agência Estado |

Entre os palestrantes estão estudiosos do modelo de negócios dos jornais que, nos últimos anos, sofreram profundas mudanças sob o impacto das mídias digitais. Earl Wilkinson, diretor da International Newsmedia Association, dos EUA, aborda as tendências para os jornais nos próximos dez anos. Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, fala sobre a reconstrução do jornal na era digital.

Carioca de nascimento mas de família capixaba como gosta de lembrar, Alves construiu carreira trabalhando em empresas jornalísticas no Brasil. Há 12 anos está nos EUA e dedica-se à vida acadêmica, formando novas gerações de profissionais. É membro do Knight Chair in Journalism & Unesco Chair in Communication, além de diretor da Universidade do Texas. A pedido do Estado, ele antecipou pontos que apresentará durante o congresso. Para ele, não há saída fácil para as mudanças em andamento, mesmo que a atual circulação dos jornais cresça no Brasil. O padrão desse negócio será outro nos próximos anos. Em sua opinião, é melhor começar a discutir mudanças no período de bonança do que esperar a tempestade.

Durante o Congresso, também será anunciado o novo presidente da entidade para 2008/2010. Nelson Sirotsky, presidente do grupo RBS, no cargo nas duas últimas gestões, passará o posto para Judith Brito, superintendente da Folha de S.Paulo. Sirotsty permanece na cúpula da Associação Mundial dos Jornais, cargo que ocupa desde junho.

O tema de sua palestra é a reconstrução do jornal para era digital. O que vem a ser essa reconstrução?
O jornal da era industrial, aquele que conhecemos e estávamos acostumados, está morto. Ou agonizante. O que não quer dizer que o jornal esteja morto. Muito pelo contrário. O jornal ainda tem vida longa. Vejo a edição em papel resistindo em 2020. Mas, a empresa jornalística vai estar bastante diferente. A versão em papel não vai mais representar a atividade central desse negócio. As plataformas digitais, em alguns mercados, estão empurrando o papel, sobretudo onde a penetração da internet é maior, para um pouco mais ao lado. Essas plataformas digitais estão tomando o centro da atividade dessa indústria. O mundo está mudando. Não da maneira como sempre mudou. Mas mudando de forma radical. E o cenário de mídia muda de maneira drástica. A reconstrução do jornal deve partir de uma avaliação de uma série de atividades que o jornal faz ou fazia, à luz desse mundo novo que está emergindo.

Por quanto tempo a discussão sobre a sobrevivência do jornal impresso vai continuar em cartaz?
Por muito tempo. O jornal que não acordar para essa discussão e não se adaptar - e não é uma adaptação simples, porque envolve a essência desse negócio -, vai desaparecer. É uma adaptação que terá vítimas: serão os que não entenderem a profundidade da mudança. A estrutura atual dos jornais, feita para atender um produto manufaturado, produzido uma vez por dia e entregue, no dia seguinte, para uma audiência interessada em ler as notícias do dia anterior em profundidade não sobreviverá.

No Brasil, a circulação dos jornais cresce.
As mudanças vão acontecer até mesmo em países como Brasil, Índia e China, onde a circulação dos jornais vem aumentado nos últimos anos. Por isso, terei dificuldades em reter a atenção do público sobre o que virá. E, acredite, vem uma tempestade. É fácil falar isso aqui nos EUA, onde essa indústria vive um verdadeiro massacre, com a circulação dos jornais decrescendo e o valor das empresas caindo. Eu brinco que a euforia vivida pelos mercados emergentes, como o Brasil, é uma espécie de "baile da ilha fiscal". Era o império celebrando, enquanto o regime já tinha ruído.

Existem pesquisas mostrando a velocidade de migração de leitores dos jornais para o meio digital?
A circulação dos jornais nos EUA vem caindo há uns 40 anos em relação ao crescimento da população. Não é um fenômeno que acaba de acontecer. A audiência dos telejornais também registra queda. A questão é que temos uma lógica nova. A lógica da sociedade da informação, que substituiu a sociedade industrial. Uma lógica que se acelerou nos EUA porque os anunciantes estão saindo mais rapidamente dos meios tradicionais, já que encontram outras formas de atingir os consumidores por meio das plataformas digitais. E a fuga dessa receita está rompendo o modelo de negócio que os jornais mantinham. Era um modelo muito lucrativo, com margens superiores a 30% ao ano. Agora, há jornais operando no vermelho.

Como se reconstrói esse negócio no mundo online?
O negócio online cresce mais aceleradamente do que a queda do negócio impresso. O crescimento do online é de 30% ao ano em faturamento, mas parte de uma base pequena. Já a queda do faturamento do impresso é mais lenta, em torno de 4% ao ano, mas de uma base muito maior. A receita dos jornais está mudando de padrão e não dá para custear a atual infra-estrutura afeita ao modelo anterior, voltada para a edição em papel. É hora de reorganizar a rotina de trabalho. Entender o novo fluxo da informação e rever tudo à luz de que a operação de internet vai crescer e a do papel vai diminuir. As empresas serão inevitavelmente multimídia. A lógica de trabalho mudou e os profissionais precisam incorporar os novos códigos. A habilidade mais relevante para meus alunos hoje em dia é saber fazer vídeos.

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