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O Maksoud Plaza vai bem, obrigado

Fim de tarde, e o movimento esquenta na região da Avenida Paulista. Diante do hotel Maksoud Plaza, na Rua São Carlos do Pinhal, táxis e carros fazem uma pequena fila, deixam e levam passageiros sob o olhar de seguranças e manobristas.

Agência Estado |

No elegante hall do hotel, recém-chegados lêem um cartaz que anuncia um musical no teatro. "O Maksoud Plaza vai bem, obrigado", garante seu dono, Henri Maksoud. "E assim vai continuar. Só fecharia se eu quisesse, e eu não quero."

O recado é uma resposta ao que ele considera "uma campanha absurda e irregular" de que o hotel foi vítima, no final de maio, quando foi penhorado e levado a leilão para pagar dívidas trabalhistas que eram de outra empresa de Maksoud, a Hidroservice Engenharia Ltda.. "Não houve lances e o hotel não mudou de mãos, mas os prejuízos foram enormes. Eu e o hotel fomos linchados naquele episódio", diz Maksoud. "É inacreditável que se tenha decidido penhorar uma empresa que nada deve, e vale mais de R$ 300 milhões, para quitar dívidas trabalhistas de R$ 340 mil de uma outra. Incrível, também, que o leilão tenha sido levado adiante mesmo quando o valor em questão já estava depositado no Banco do Brasil, antes de sua realização."

O hotel retomou a rotina, mas os efeitos da operação não demoraram. Empresas do exterior mandaram e-mails perguntando se o hotel estava mesmo à venda por R$ 47,5 milhões - esse era o lance mínimo no leilão. Além disso, tradicionais clientes que ali sempre realizaram congressos e seminários queriam saber se deveriam procurar outros locais para seus eventos daqui para a frente. Enquanto se empenha em consertar os estragos, ele aguarda a decisão sobre sua ação de embargos de terceiros, que está nas mãos da juíza Maria José Rebello, da 52ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Essa é uma medida com a qual alguém tenta preservar sua posse sobre uma propriedade. O caso pode acabar ali, ou continuar com a marcação de um novo leilão.

Irritado com as pressões que vem sofrendo - e que atribui a alguns advogados e à Justiça trabalhista - o empresário enumera, ainda, uma fileira de procedimentos que considera inteiramente irregulares. Por exemplo, "a absurda e inaceitável maneira como foi feita a avaliação do hotel". A perita encarregada, diz ele, nem sequer apareceu no local para conhecer e avaliar tudo o que há lá dentro: ela decretou, em duas linhas, sem fundamentação para nada, que ele valia R$ 95 milhões. "É menos da metade do que avaliaram peritos que contratei, ligados ao Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia."

Por trás dessa guerra particular de Maksoud contra a Justiça do Trabalho há uma ação indenizatória movida nos anos 90 por um funcionário demitido da Hidroservice e que Maksoud não pagou por achar os cálculos exagerados. A juíza da 52ª Vara deu ganho ao funcionário e, visto que a Hidroservice não está mais em atividade, autorizou que o hotel fosse penhorado e levado a leilão para se quitar a dívida.

As queixas do empresário vão além. Assim que soube que o hotel seria arrastado para dentro do processo, ele entrou com embargos de terceiros, medida que um cidadão pode tomar para impedir que algum bem seu lhe seja tomado indevidamente. Empregados, que têm a defender seus empregos, entraram também. "E tudo foi levado adiante, sem que esses embargos fossem julgados", disse. Só mais recentemente se soube que os embargos, enfim, estão sendo considerados.

Enquanto aguarda o destino do processo, ele batalha, diariamente, para manter o padrão de atendimento, que deu fama ao hotel. "Sei que hoje, no Brasil, não temos segurança jurídica para trabalhar normalmente", afirma. "Mas não desisto. Vou manter o hotel com o mesmo glamour. Ele é um ícone do presente, do século 21, e assim vai continuar."

A Assessoria de Comunicação do TRT informou que só a própria juíza pode falar sobre o assunto e que, no momento, ela se dedica a estudar o processo e o pedido de embargos de terceiros de Maksoud. Por isso mesmo, não deverá antecipar suas decisões à imprensa.

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